
Avelar Lopes de Viveiros – Cel PM Experiente em Segurança Pública
O atentado durante jantar com correspondentes da casa Branca nos mostra um pouquinho de como é a segurança de autoridades pelo mundo inteiro, Brasil inclusive. E nos dá uma lição porque a segurança precisa ser ouvida por eles, e por nós também.
Em uma das cenas divulgadas, percebe-se um segurança aparecendo quase que instantaneamente atrás do presidente americano.
Ato contínuo, surge um segundo agente que segura o presidente pelo braço e, praticamente o força a deixar o local meio agachado.
Outros agentes se juntam ao grupo, criando uma barreira humana entre o presidente e o local de onde partiam os tiros.
Horas depois, o próprio presidente afirmou que atrapalhou os trabalhos dos agentes porque ficou curioso e queria ver o que estava acontecendo.
A curiosidade é quase tão perigosa quanto o atentado em si.

A impertinência de Trump o colocou em risco sua vida e, por conseguinte, a de ouras pessoas vez que, não sendo o alvo inicial do criminoso, estivessem entre ele e os tiros.
Seguranças ou civis.
Os seguranças não protegem a ele, o Sr Trump, mas a instituição, o presidente do Estados Unidos.
Protegendo o presidente, protegem todos que estão à sua volta.
A atenção a um detalhe da segurança, que segue protocolo rígido e requisito para que o serviço tenha eficácia, é determinante para o sucesso da proteção.
Assim é que, não basta os agentes saberem o que fazer; as autoridades também precisam deixar que os agentes façam o que foram treinados para fazer.
E deixar os seguranças trabalharem é o ponto fraco de todo sistema de proteção.
Para ilustrar, guardada as devidas proporções, quero contar alguns fatos que vivenciei na segurança do governador do Estado durante minha carreira na Policia Militar.

Por dever de justiça, não comentarei o atentado que vitimou o ex-prefeito de itumbiara José Gomes em 2016; pelo simples fato de que não estava lá. Vamos aos fatos que presenciei:
Em uma cidade do interior, autoridades no palanque aguardavam o discurso do governador. Percebi que um homem com comportamento estranho se aproximava do centro do palanque.
Me aproximei dele e notei que havia algo em sua cintura.
Ele se vestia de branco e tinha a camisa meio aberta. Passei a mão discretamente em sua cintura, onde entendi que havia um objeto.
Notei que parecia o cabo de uma faca.
Para evitar um escândalo desnecessário, acionei um auxiliar, segurei firme o objeto, e arrastamos o elemento do local.
Nunca se soube ao certo o que aquele homem queria. Mas era um conhecido de todos ali, e era sabido que ele tinha um déficit mental. Foi conduzido à delegacia e, logo após o evento, entregue aos seus familiares;
Noutra situação, trabalhando como chefe de segurança do então CEPAIGO, recebi inesperadamente a visita do governador do Estado.
Depois de passar pela administração, o governador quis conhecer o interior do presídio, particularmente os trabalhos reservados aos apenados.
Redargui que não poderia permitir vez que não podia garantir a segurança daquela autoridade.
O governador usou de sua autoridade para obter acesso ao interior do presídio.
No primeiro local que chegamos, desarmei um preso que tinha um instrumento perfurante (chucho) na cintura.

Neste caso, decidi abordar ostensivamente o sujeito para que minhas advertências fossem aceitas pela autoridade em questão. Depois disto, o governador saiu do presídio.
RAPIDINHA: Nas questões públicas, devemos estar sempre atentos às orientações de quem tem autoridade. Mas no embate do poder, a segurança deve sempre falar primeiro, embora esta regra seja muito difícil de ser aceita. O conhecimento do médico, do engenheiro, do eletricista não resolverão se eles forem atingidos por um tiro, por exemplo. Na mesma cena em que os agentes tiveram dificuldades com o presidente Trump, a retirada do vice presidente JD Vance, foi muito mais eficaz. Um agente arrasta a cadeira do vice, agarrando-o pelo ombro. De imediato o vice presidente se levanta e se deixa conduzir pelo agente que prontamente o retira do local. Quando todos colaboram, o risco ainda existe. Quando alguém deixa de cumprir com seu papel, o risco se agiganta. E coloca o alvo nas costas de quem não precisaria se arriscar. Isto vale para autoridades e para quem está no trânsito. Certa feita, desviamos o trânsito de uma rua de Goiânia. O motorista de uma Kombi resolveu não parar. Caiu de um ponte que estava danificada. Felizmente aqui, como no caso de Trump, ninguém morreu. Sucesso para a segurança mesmo tendo falhado na prevenção.
Publicado em 28/04/2026







