
Avelar Lopes de Viveiros – Cel PM Experiente em Segurança Pública
2026 será um ano em que a justiça eleitoral terá que se preocupar muito mais do que com o simples emaranhado de leis eleitorais, para garantir um minimo de democracia. Não que este emaranhado seja de fato simples. Mas o que se avizinha pode torná-lo muito mais indigesto: a preocupação com o código penal e a possibilidade de ele estar sendo escamoteado também no processo eleitoral. Parece complicado, porque é mesmo. O fato é que, cada vez mais organizações criminosas se arvoram a se infiltrar no processo eleitoral para se locupletar dele. Se este não é um sinal de que vivemos com grupos terroristas, já não se sabe ao certo o que é.
A preocupação com o Crime organizado não é pouca coisa. Debelar seus efeitos danosos sobre a sociedade é uma tarefa cada vez mais penosa. Evitar que ele contamine o sistema democrático faz da peleja esforço hercúleo, com pouca perspectiva ante a realidade de nossas fragilidades estruturais. Além do quê; o crime organizado se apresenta com vários tentáculos que vão desde o financiamento de campanhas, imposição de voto em territóriios controlados, restrição à circulação de uns candidatos em benefício de outros,ameaças e fraude escancarada na produção do voto. Se o processo democrático não é equilibrado, com a inserção do crime este desequilíbrio se agrava.
A pergunta que se deve responder é: o que quer o crime e o criminoso no processo eleitoral? não é poder, já que poder ele tem muito mais do que aquele que alcançaria num processo eleitoral. O que se busca é controle. Mas controle do quê? Do sistema político, encarregado de produzir leis, aplicar e fiscalizà-las. É certo que o nosso sistema político está contaminado por facções no Brasil como um todo. Mas participar de um processo eleitoral é mais que isto: é retirar o verniz de que há um interesse popular sobre as ações do crime organizado, para escancarar que tais ações suplantam até mesmo o comezinho interesse popular. A vontade do crime não sintoniza com a vontade popular. Sobrepõe-se a ela.
A justiça criminal não deu conta do crime no Brasil. A eleitoral também não dará. Qual a solução para o país, então? coragem para fazer o que precisa ser feito.
RAPIDINHA: PCC E CV são ou não grupos terroristas? Não deveríamos perder tempo discutindo isto. Afinal, a decisão do governo americano se deve mais à presença destes grupos criminosos em 12 Estados amaricanos do que por seus interesses no Brasil. O problema que deveríamos discutir é: porque o Brasil não consegue reduzir suas taxas de criminalidade? porquê tem leis frouxas? porquê tem justiça leniente? porque tem um sistema penal frágil e antiquado? Porque não combate o crime com seriedade? sim para todas as perguntas. Mais para umas do que para outras. Veja que alguns Estados estão dando melhor resposta que outros no combate à criminalidade. E as leis e os sistemas são exatamente o mesmo. Qual a diferença então? A disposição e a seriedade com que combatem o crime. O simples fato de se posicionar como um combatente contumaz ao crime e ao criminoso, fez Estados como Goiás acharem uma porta para a segurança. Talvez esteja aí o caminho a seguir: utilizar o sistema e as leis para proteger o cidadão. Não o criminoso. O governo que defende o criminoso, condena o cidadão.
Publicado em 08/06/2026







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