
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva; e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master (Divulgação/Reprodução)
– Por Robson Bonin
Como um dos maiores ativos em sua trajetória no mundo financeiro, Daniel Vorcaro cultivou uma impressionante teia de relações com autoridades de diversos espectros no país.
O dono do Banco Master cooptava poderosos a partir do pagamento de milionárias propinas e festas luxuosas quase sempre animadas por jovens garotas de programa de diferentes cantos do planeta.
As provas colhidas pela Polícia Federal mostram que o banqueiro, preso desde março em Brasília, sob acusação de protagonizar uma das maiores fraudes bancárias da história do país, conversava com líderes partidários de todas as correntes políticas, do PL ao PT, e tinha “irmãos” nos três Poderes da República, graças aos laços formados pela força sedutora do dinheiro.
Desde a eclosão do escândalo, Lula, candidato à reeleição, usou o caso para fustigar adversários metidos com o banqueiro.

“Vorcaro não era apenas um ladrão, era um mágico”, disse o petista em uma entrevista recente, acrescentando que a investigação precisa prosseguir, “doa a quem doer”.
No meio de um grande clima de degradação moral, para todos os efeitos, o presidente da República estava fora de quaisquer acusações envolvendo Vorcaro.
VEJA teve acesso a relatos feitos pelo banqueiro nos quais ele revela ter negociado com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto o pagamento para conseguir acessar os cofres dos fundos de fundos de pensão de servidores federais controlados pelo petismo.

Segundo conta o banqueiro em um áudio e em documentos obtidos por VEJA, seriam 30 milhões de reais em espécie, pagos por fora ao Instituto Lula, gerenciado pelo diretor e amigo do presidente, destinados a financiar a produção de um documentário sobre Lula no exterior e mais um valor não revelado pelo banqueiro pago diretamente para o Instituto Lula.
Vorcaro juntou detalhes dessa história num anexo que foi levado à PGR.


A Procuradoria não levou adiante o caso, com a justificativa de que não haveria provas da história, tendo em vista que os pagamentos teriam sido feitos em dinheiro vivo.
A defesa de Vorcaro contra-argumentou, dizendo que o banqueiro teria provas como mensagens de WhatsApp, registros das pessoas que retiraram o dinheiro vivo e a relação de lugares e rotas usadas por operadores nas entregas do dinheiro.
A história não foi adiante.
Publicado em 09/10/2026



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