
Jornal Opção – Herbert Viana
Uma reportagem da agência Bloomberg revelou que autoridades e assessores do Kremlin, em Moscou, avaliam que o presidente Vladimir Putin poderá recorrer ao uso de armas nucleares táticas em um cenário de isolamento militar extremo na Ucrânia.
A publicação indica que a insatisfação com o avanço das tropas ucranianas e o impasse nas rodadas de negociações internacionais são os motivos do aumento do tom belicista nos bastidores do governo russo.
Representantes da alta cúpula de Moscou consideram que o fornecimento de inteligência estratégica e armamentos pesados de países ocidentais a Kiev é uma interferência direta da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) no conflito.

Apesar do agravamento da retórica política russa e das discussões internas em Moscou sobre respostas extremas, agências de inteligência reforçam que, por enquanto, não foram detectadas movimentações logísticas ou preparativos militares reais que indiquem um ataque nuclear iminente.
Apesar do alerta, aparentemente o Kremlin ainda prioriza a escalada do conflito por meios convencionais, concentrando os esforços da máquina de guerra russa no aumento de ataques com mísseis balísticos e na expansão do contingente de soldados nas linhas de frente.
No entanto, se Vladimir Putin ordenar o uso de armas nucleares contra a Ucrânia, dará início a uma crise de segurança global sem precedentes desde a Segunda Guerra Mundial.

A OTAN na mira de Putin
O alvo de Putin não é apenas a Ucrânia, mas toda a Europa. A Rússia convocou cerca de 500 mil soldados e movimentou milhares de blindados nas últimas semanas, indicando que está se preparando para uma grande mobilização militar com o objetivo real de abrir uma nova linha de frente contra um país da União Europeia. Suspeita-se que a próxima invasão do Exército russo será contra a Moldávia.
De acordo com o Wall Street Journal, esse foi o tema das reuniões que o diretor da CIA, John Ratcliffe, abordou em Moscou há dois dias, alertando as autoridades russas de que os Estados Unidos possuem dados de inteligência que comprovam a suposta mobilização militar para uma ofensiva de larga escala. Ratcliffe também teria dado um ultimato a Vladimir Putin. O objetivo da viagem foi transmitir um alerta contra qualquer ataque russo a um país membro da OTAN.
A informação ocorre após avaliações da inteligência americana revelarem a disposição de Vladimir Putin em realizar uma ação militar limitada contra um dos países do Báltico. No início deste mês, o jornal americano publicou que a Casa Branca já havia identificado essa possibilidade e que ela era real.
Ratcliffe não conversou diretamente com Putin, mas falou com autoridades de inteligência russas. As reuniões foram confirmadas pelo Kremlin.
Porém, o que chamou a atenção foi a presença surpresa de um diretor da CIA na Rússia.
A última vez que isso aconteceu foi em 2021, quando o então diretor William Burns foi a Moscou para alertar Putin sobre as consequências de uma invasão à Ucrânia.

Poucos meses depois, o presidente russo deu início à ação militar em larga escala contra Kiev, que dura até hoje.
Por enquanto, nem Donald Trump nem Putin confirmaram publicamente que as relações entre os dois países estão estremecidas.
Mas, na noite passada, os Estados Unidos removeram a bandeira da Embaixada americana em Moscou e fecharam o prédio, indicando uma potencial escalada nas tensões diplomáticas ou a preparação para algum evento geopolítico de grandes proporções em um futuro próximo, já que todos os diplomatas, funcionários e o próprio embaixador foram evacuados do país, em uma medida preventiva diante de cenários incertos.

A disposição bélica de Vladimir Putin, de acordo com o serviço de inteligência britânico, também tem o Reino Unido como alvo. O primeiro-ministro Andy Burnham recebeu alertas, nas últimas horas, de que a Grã-Bretanha poderá sofrer retaliação russa devido ao forte apoio militar à Ucrânia.
Segundo o Daily Mail, Moscou pretende dar uma resposta direta aos britânicos, e um ataque à infraestrutura de defesa e segurança de todo o Reino Unido seria “inevitável”.
A ação poderá ocorrer por meio de drones ou incêndios criminosos, o suficiente para evitar uma resposta militar da OTAN.

O Papa também está preocupado
Desde ontem, o arcebispo Paul Gallagher, uma das principais autoridades diplomáticas do Vaticano, está em Moscou.
Assim como o diretor da CIA, Gallagher chegou à Rússia sem comunicar previamente a visita. Ele se reuniu com o chanceler russo, Sergey Lavrov, para pedir o fim da guerra na Ucrânia e destacou a necessidade de reconciliação.
O Kremlin e o Vaticano informaram que os dois representantes também discutiram assuntos humanitários, como a situação das crianças em cenários de guerra.
No entanto, a coincidência das presenças diplomáticas e estratégicas de última hora em Moscou aumenta a percepção de que algo grave e iminente já está em curso e que tem potencial para emergir como uma grande crise internacional.
Publicado em 27/08/2026







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