RELIGIÃO

Martinho Lutero: origem do luteranismo.

Em 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero afixou suas 95 teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg — um ato que mudou o rumo da teologia cristã. Suas teses

O luteranismo é um dos principais segmentos doprotestantismo, com aproximadamente mais de 77 milhões de fiéis, que tem por base a teologia deMartinho Lutero, um fradecatólico, reformador e teólogo alemão.

 Surgiu a partir dos esforços de Martinho Lutero em reformar a doutrina e prática da Igreja Católica,até então a tradição cristã dominante no ocidente, o que originou a Reforma Protestante.

As Igrejas Luteranas aderem àBíbliacomo a principal e maior autoridade (doutrina conhecido como Sola scriptura) e aos três Credos (Apostólico, Niceno e Atanasiano), com a doutrina luterana sendo explicada noLivro de Concórdia.

Os luteranos se consideram em continuidade com a igreja apostólica original e afirmam os escritos dos Padres da Igreja e os quatro primeiros concílios ecumênicos.

A Reforma Protestante teve como início a publicação das 95 Teses, que foram divulgadas nos territórios de língua alemã doSacro Império Romano-Germânico criticando algumas práticas da Igreja Católica, contrariando as autoridades governamentais e eclesiásticas da época.

Durante a Reforma, o luteranismo tornou-se a religião oficial de vários estados do norte da Europa, especialmente no norte da Alemanha, Escandinávia e a então Ordem da Livônia (território o qual hoje corresponde aLetônia). A divisão entre os católicos romanos e os luteranos aconteceu em 1521 com a Dieta de Worms, onde Lutero e todos seus seguidores foram oficialmente excomungados pela Igreja Católica.

A divisão tinha por base a doutrina da justificação, sendo que Lutero advocava-a através do princípio de que “a salvação vem somente pela graça, somente pela fé e somente por Cristo, contrariando o ponto de vista romano, que se baseava em uma “salvação pelo amor e pelas boas obras.

Confissão de Augsburgo - World History Encyclopedia

Em 1530 foi publicada aConfissão de Augsburgo, clarificando as posições das igrejas luteranas, se tornando sua principal confissão de fé.

As posições que as igrejas que se separaram e seguiram foram eventualmente codificadas no Livro de Concórdia em 1580, que possui os documentos confessionais do luteranismo.

Ao contrário de outras igrejas cristãs que surgiram por meio da Reforma, assim como o calvinismo, o luteranismo mantém muitas práticas litúrgicas, mantendo até hoje a Missa como era praticada na Alemanha no século XVI na forma do Serviço Divino (alemão: Gottesdienst), e ensinamentos sacramentaisdo período pré-Reforma, com uma ênfase particular na eucaristia, ou “Santa Ceia”, afirmando a presença real de Cristo por meio da União Sacramental, e do Batismo, ensinando a “regeneração pelo batismo” e batismo infantil.

Seguindo a doutrina da Sola scriptura, a tradiçãoé subordinada às Escrituras e é valorizada por seu papel na proclamação do Evangelho.

Os principais pontos em que o luteranismo difere das outras igrejas cristãs são o propósito da Lei de Deus, a vocação eficaz, a perseverança dos santos e a predestinação.

No seu conjunto, o luteranismo é a segunda maior confissão cristã do ocidente (atrás do catolicismo romano), contando ao todo com aproximadamente 80 milhões de fiéis, concentrados sobretudo nos países da Escandinávia.

Desde 1525 com a Prússia, o luteranismo se tornou aigreja estatal de vários países europeus. As maiores igrejas locais são a sueca (a Igreja da Suécia) e a alemã (Igreja Evangélica na Alemanha).

Etimologia

Martinho Lutero, uma pintura de 1529 de Lucas Cranach, o Velho

O nome “luterano” surgiu como um termo pejorativo empregado por João Maier contra Martinho Lutero durante o Debate de Leipzig de julho de 1519.

Maier e outros católicos romanos seguiram a prática tradicional de nomear uma heresia utilizando o nome de seu líder, assim rotulando a todos que se identificavam com a teologia de Lutero como “luteranos”.

Martinho Lutero, em todas suas convenções, nunca utilizou o termo “luterano”, preferindo em qualquer ocasião referir o movimento da reforma como “Evangélico”, o qual deriva da palavra em grego euangelion, que em português significa “boas novas”, “evangelho”.

Com o tempo, “Evangélico” também se tornou um sinônimo de Protestante e começou também a ser usado pela Tradição Reformada (Calvinista).

Para distinguir os dois grupos evangélicos, alguns começaram a se referir a eles como Evangélicos Luteranos e Evangélicos Reformados.

Com o passar do tempo, o termo “evangélico” deixou de ser usado; os próprios luteranos passaram a usar o termo “luterano” em meados do século XVI, a fim de se diferenciarem de outros grupos, como os anabatistas e a tradição calvinista.

Em 1597, os próprios teólogos de Wittenberg definiram-se a si próprios como “luteranos”, tornando assim o termo tradicional e usado em todo o mundo até os dias de hoje.

Certas igrejas luteranas podem usar a forma completa “Evangélica Luterana” (como a Igreja Evangélica Luterana do Brasil, o Sínodo Evangélico Luterano de Wisconsin e a Igreja Evangélica Luterana da Finlândia), enquanto outras podem usar simplesmente “Evangélica” (como a Igreja Evangélica na Alemanha) ou “Luterana” (como a Igreja Luterana – Sínodo de Missouri) em seus nomes.

Diversas igrejas também ao invés fazem referência à Confissão de Augsburgo em seus nomes, como a Igreja Evangélica da Confissão de Augsburgo na Polônia ou a Igreja Protestante da Confissão de Augsburgo na Áustria, entre outras.

Dito isto, muitas opiniões pessoais de Martinho Lutero não foram adotadas pelas Igrejas Luteranas na Confissão de Augsburgo (a principal confissão de fé da Igreja Luterana) e, como o luteranismo manteve muitas das práticas litúrgicas e devocionais pré-Reforma, a Reforma Luterana é geralmente considerada a mais tradicionalista dentre as tradições protestantes.

Luteranismo

Martinho Lutero, um católico romano fervoroso, decidiu entrar para o claustro num mosteiro Agostiniano, sendo ordenado padre em 1507.

Segundo alguns historiadores, isto ocorreu devido a um acontecimento sobrenatural, no qual ele sobreviveu a uma tempestade na estrada, após ter dito:

“Ajuda-me Santa Ana! E tornar-me-ei monge!”.

No mosteiro, Lutero vivia em angústias e desespero por dúvidas que tinha sobre seus méritos espirituais. Quanto mais refletia, tanto mais cresciam suas dúvidas e incertezas. Não possuía, por isso, paz de alma e via Deus como um severo juiz pronto a castigar os pecadores.

Lutero tornou-se doutor em Teologia e passou a lecionar na Universidade de Wittenberg.

Sendo um dos privilegiados a ter acesso a uma Bíblia, Lutero desenvolveu nova visão teológica lendo as palavras de Romanos 1.17: “mas o justo viverá pela fé”.

Ele dizia que o perdão e a vida eterna não são conquistados por nós mediante as obras, mas nos são dados gratuitamente mediante a fé em Jesus Cristo, o que Lutero afirmou com base na Epístola aos Efésios, capítulo 2, versículos 8 e 9:

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie”.

Publicado em 20/09/2026

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Patricia Amaral

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