
A disputa entre Estados Unidos e China pelo controle do fornecimento de minerais estratégicos tem impulsionado investimentos em países que possuem reservas desses recursos.
Entre os principais beneficiados está o Brasil, que aparece ao lado da República Democrática do Congo e do Cazaquistão como um dos países que mais atraem recursos das duas potências.
A análise foi publicada pela revista britânica The Economist, que aponta a corrida por minerais essenciais para a inteligência artificial, a eletrificação e outras tecnologias como um possível novo superciclo de commodities.
O movimento ocorre em meio à busca dos dois países por reduzir a dependência de fornecedores rivais e garantir o acesso a matérias-primas consideradas estratégicas para a economia e a segurança nacional.

Brasil recebe bilhões em investimentos na mineração
No Brasil, os investimentos americanos estão concentrados principalmente no setor de terras raras.
Em setembro, a empresa USA Rare Earth, que tem participação do governo dos Estados Unidos, assumiu o controle da Serra Verde, única produtora de quatro dos minerais mais raros fora da Ásia.
A companhia já investiu US$ 2,8 bilhões na aquisição da mina.
Com um novo pacote de recursos articulado pelo Departamento de Guerra americano e um empréstimo da DFC (Corporação Financeira de Desenvolvimento), o investimento dos Estados Unidos no empreendimento deverá chegar a quase US$ 5 bilhões.

A China também ampliou a presença no setor mineral brasileiro.
Segundo a The Economist, empresas chinesas investiram cerca de US$ 6 bilhões no país no ano passado, o maior volume destinado por elas a um único país.
Aproximadamente um terço dos recursos foi direcionado a minas de minerais como níquel, cobre e ouro.
Disputa entre potências movimenta mercado de minerais
A corrida por recursos naturais ganhou força diante da importância dos minerais para a produção de semicondutores, equipamentos tecnológicos e armamentos.
Em maio de 2025, o presidente americano Donald Trump precisou reduzir tarifas impostas a produtos chineses depois que a China restringiu as exportações de sete minerais de terras raras utilizados na fabricação de semicondutores e armas
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Desde então, os Estados Unidos intensificaram os investimentos em projetos de mineração no exterior.
Segundo dados citados pela revista, o governo americano e empresas do país destinaram US$ 15,4 bilhões a minas estrangeiras em 2025, valor muito superior ao registrado no ano anterior.
A China, por sua vez, também ampliou os aportes internacionais.
Suas grandes mineradoras estatais investiram mais de US$ 30 bilhões no exterior, em um movimento que não era observado desde o início do último superciclo de commodities, há cerca de uma década.

Brasil está entre os principais beneficiados
Além do Brasil, a República Democrática do Congo e o Cazaquistão aparecem entre os países que mais se beneficiam da disputa.
Juntos com a Zâmbia e o Canadá, os cinco concentraram quase 80% dos investimentos combinados de Estados Unidos e China em mineração no exterior no ano passado.

A concentração ocorre porque esses países possuem minas antigas, inacabadas ou inativas que podem voltar a produzir em menos tempo e com custos menores do que os necessários para desenvolver novos projetos.
A estratégia também permite que os governos locais negociem melhores condições com as duas potências.
Na República Democrática do Congo, por exemplo, autoridades conseguiram ampliar os compromissos chineses de investimento e processamento de minerais no próprio país.
No Cazaquistão, o governo também obteve uma participação maior em um empreendimento de tungstênio negociado com os Estados Unidos.
Investimentos enfrentam desafios para atender à demanda
Apesar do aumento dos recursos destinados à mineração, a expansão da produção enfrenta obstáculos.
A exploração de novas jazidas pode levar uma década ou mais, enquanto a demanda por minerais estratégicos cresce em ritmo acelerado.
Presidente chinês Xi JinpingThe Economist aponta que os investimentos em exploração mineral ainda não se recuperaram dos níveis registrados no último superciclo de commodities.
O cenário preocupa especialmente no mercado de cobre, cuja demanda pode superar a oferta em 8% dentro de dez anos.
Nesse contexto, países que já possuem jazidas identificadas e projetos em condições de avançar tendem a sair na frente na disputa por investimentos internacionais.
A análise da The Economist destaca que, embora Estados Unidos e China busquem ampliar suas áreas de influência, países como Brasil, República Democrática do Congo e Cazaquistão não precisam necessariamente escolher um dos lados.
Publicado em 03/11/2026








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