
Seja por alergia, cansaço ou hábito, muita gente coça os olhos sem imaginar que esse comportamento pode trazer consequências para a saúde ocular. O alerta é especialmente importante para adolescentes e jovens adultos, faixa etária mais afetada pelo ceratocone, doença progressiva que altera a estrutura da córnea e pode comprometer a visão quando não identificada precocemente.
Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), cerca de 150 mil brasileiros desenvolvem ceratocone a cada ano. A condição costuma surgir ainda na adolescência e evoluir até o início da vida adulta, justamente em uma fase em que muitas pessoas não mantêm acompanhamento oftalmológico regular.
O problema é que os sinais iniciais nem sempre chamam atenção. Em muitos casos, o paciente percebe apenas que a visão está mais embaçada, que os óculos parecem não corrigir o problema como antes ou que o grau muda com frequência. Sensibilidade à luz, dificuldade para dirigir à noite e visão distorcida também podem estar entre os sintomas.
De acordo com o oftalmologista, especialista em córnea e cirurgias refrativas, Marco Túlio Chater, do Hospital de Olhos de Palmas, o hábito de coçar os olhos merece atenção especial, principalmente entre pessoas que sofrem com rinite, alergias ou têm histórico familiar da doença. “Coçar os olhos repetidamente provoca um estresse mecânico na córnea e pode contribuir para a progressão do ceratocone em pessoas predispostas. Muitas vezes o paciente nem percebe a frequência com que faz isso ao longo do dia”, explica.
Uma das principais dificuldades relacionadas à doença é que seus sintomas podem ser confundidos com alterações comuns de grau. Por isso, mudanças frequentes na prescrição dos óculos, piora progressiva da visão ou dificuldade para enxergar mesmo utilizando a correção adequada devem ser investigadas por um oftalmologista.
Atualmente, existem tratamentos capazes de controlar a evolução da doença e preservar a visão, especialmente quando o diagnóstico ocorre nas fases iniciais. Entre as opções estão o crosslinking corneano, lentes especiais e, em situações mais avançadas, o transplante de córnea. “Hoje temos recursos que ajudam a evitar a progressão do ceratocone e reduzem significativamente o risco de perda visual. Quanto mais cedo identificamos o problema, maiores são as possibilidades de intervenção e acompanhamento adequado”, orienta o especialista.
Além das consultas oftalmológicas regulares, especialistas recomendam evitar coçar os olhos, controlar alergias oculares e procurar avaliação médica sempre que houver alterações frequentes na visão. Embora o ceratocone não tenha cura, o diagnóstico precoce continua sendo a principal ferramenta para preservar a qualidade visual ao longo da vida.
Publicado em 08/06/2026





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