
Após a inauguração de Goiânia, Campinas deixou de ser um município autônomo e foi integrada à nova capital como um de seus bairros.

Na época, a população local parece ter aceitado bem a mudança, influenciada pela promessa de modernização propagada pelo então prefeito de Campinas. A ideia era que a região se beneficiaria do desenvolvimento proporcionado pela construção da nova capital.

No entanto, com o passar do tempo, Campinas perdeu sua infraestrutura urbana e seu papel administrativo. Os prédios que abrigavam temporariamente as repartições públicas foram transferidos para o centro de Goiânia, e o bairro, aos poucos, perdeu sua identidade cultural. Os cinemas de rua, por exemplo, foram desativados, enquanto Goiânia consolidava seu espaço como polo cultural e administrativo.

O historiador Sérgio Felício ressalta a relevância econômica de Campinas para Goiânia, no entanto, lamenta que o bairro seja reconhecido apenas como um polo comercial e não tanto por sua história, cultura e comunidade.
O declínio da identidade de Campinas contrasta com as memórias de quem viveu seus tempos áureos.

Beto Selva, curador do Instituto Bariani Ortêncio, reforça o impacto das mudanças ao longo do tempo. Ele, que diz ter vivenciado a época áurea do bairro, relembra quando o local era considerado residencial e tranquilo: “Vivi em Campinas de 1948 a 1968, a última fase em que Campinas era como uma cidade independente. A gente ainda dizia: ‘Vou para Goiânia’ ou ‘Vou para Campinas’.”

Ele destaca o papel histórico do bairro na formação de Goiânia: “Os padres redentoristas trouxeram profissionais da Alemanha e montaram escolas que formaram a primeira turma de trabalhadores da construção da capital. Campinas foi base para Goiânia.”

Sobre a vida cultural, Beto recorda: “Tinha cinema, footing na porta do Cine Campinas, famílias de imigrantes alemães, italianos, até russos. Era cosmopolita, isso na década de 1950.”

Mudanças e desafios atuais
Embora tenha se tornado referência comercial, aqueles que dependem da parte econômica do bairro enfrentam desafios. A empresária Margareth Maia defende melhorias: “Precisamos modernizar Campinas, com novas iluminações, mais segurança, tirar pessoas em situação de rua das praças e do ginásio, além de retirar os pontos de reciclagem improvisados. Campinas é um bairro de poucos moradores, mas o comércio é forte.”

Ela também critica a falta de apoio do poder público: “Precisamos de estacionamento organizado, trânsito fluido e menos multas abusivas. Se o comércio voltar a ter movimento, a prefeitura também arrecada mais.”

Homenagem a Campinas por seu tradicional morador, Professor Adelton e jovens moradores.
Publicado em 08/07/2025

