ELEIÇÕES 2026

Eleições polarizadas: momento ruim vivido pelo PT.

247 – A última pesquisa Datafolha para o segundo turno, na qual Flávio Bolsonaro aparece com 46% e Lula com 45% — número que se repete se a eleição fosse disputada com Romeu Zema, que aparece com 42% — surpreendeu muita gente e semeou um sentimento de apreensão no governo e nos partidos governistas.

Mas não surpreendeu os poucos analistas que vêm adotando um olhar crítico, chamando a atenção para a falta de comando, de sentido e para a apatia política no terceiro mandato de Lula.

O governo adotou uma embocadura errada desde o início.

Assumiu de forma desprevenida, sem aquela prontidão estratégica que se exige de quem tem o controle do poder político.

Foi surpreendido pelo provocado em 8 de janeiro, o que revelou falta de prudência e de capacidade preditiva.

Na sequência, o governo e o campo político-partidário que o apoiam adotaram um rosário de renúncias de protagonismo político, terceirizando a luta pela democracia e contra o golpismo do STF.

Negaram-se a impor uma derrota política ao bolsonarismo por tudo o que ele representava.

O defensivismo político, com repercussões graves na comunicação e na articulação política no Congresso, foi a marca desse governo e do agregado de centro-esquerda.

Não dirigiram o bloco de aliança que se estendia ao centro. Deixaram-se dirigir pelo centro.

Outro erro de embocadura consistiu em que o governo Lula 3 não se assumiu como um governo novo e inovador, capaz de colocar em marcha projetos concernentes à inovação e à mudança.

Colocou sua fantasia no passado, na repetição de fórmulas que já tinham dado adeus, pois a realidade dos fatos e o rumo dos ventos haviam mudado.

Entre os governos petistas do passado e 2023, aconteceu o aprofundamento da revolução tecnológica, da revolução digital e robótica, a uberização das relações de trabalho, a informalização, novas leis e novas relações de trabalho, mudanças na composição e estratificação social, mudanças culturais, emergência da extrema-direita, fragmentação social… Em pouco tempo, o mundo, em suas coisas e relações humanas, tornou-se outro.

O governo Lula 3 nunca teve um comando político estratégico, um estado-maior dirigente que fizesse uma gestão diária da política, dos riscos, das insuficiências, dos embates, da governança e das crises. A crise do PIX é o exemplo mais evidente dessa falha.

O governo e os partidos de sustentação não perceberam que, aos poucos, foi se instaurando um mal-estar social, produto de múltiplos fatores.

O problema do endividamento das famílias é apenas um deles.

O governo foi incapaz de percebê-lo a tempo.

Só agora soou o alarme. O índice de endividamento é monitorado mensalmente e, há meses, ele vem alto.

Quer dizer: o governo dormiu no ponto.

Publicado em 13/04/2026