CORONEL VIEIROS

Padre, Pastor e Puliça.

Avelar Lopes de Viveiros – CEL PM RR Experiente em Segurança Pública

Algumas profissões, parecem mais suscetíveis à Opinião Pública que outras.

Veja o gari, por exemplo.

Gari preso roubando distribuidora de bebidas. Ou, assediando mulheres no parque.

Nem por isto todos os garis são ladrões ou agressores, assediadores de mulheres. Cada um responde por sí.

Um professor que não gosta de dar aulas; é preguiçoso;

Não cumpre com suas obrigações funcionais;

Não significa dizer que todo professor é preguiçoso.

Já o padre, o pastor e o policial…

Se um é pego cometendo qualquer ato condenável socialmente, logo isto vira marca registrada da profissão.

Por exemplo:

*todo padre é pedófilo;

*todo pastor é bandido;

*todo policial é corrupto.

Mas isto não é verdade, óbvio. É só uma pecha que vira mote e logo em seguida, vira verdade. Para o domínio público, não para a vida real.

Eu vim de uma profissão, onde o coletivo carrega as agruras do individual.

Engraçado, e ao mesmo tempo triste, é que a generalização é só para coisas ruins. Coisa boas não servem de  referência.

Por exemplo: ao longo da minha carreira, vi muitos policiais salvarem vidas, realizarem partos dentro de viaturas, socorrer mães aflitas. Mas, isto é só obrigação.

Nunca vi ninguém dizendo que todo policial é parteiro. Ou que todo policial é herói. Isto não.

Guardadas as proporções, isto serve para o padre e para o pastor.

Me parece que o sacerdócio tem o dom de colocar os profissionais na berlinda. Sim, sacerdócio, pois o que é o policial se não um sacerdote da segurança?

Um último exemplo: um médico é mal sucedido num atendimento e o paciente vem a óbito. Ele será submetido a um escrutíneo, claro.

Mas isto não fará de todos os médicos assassinos. Independente do resultado do julgamento do médico que objetivamente falhou.

Esta minha cantilena de hoje não se presta a reclamar, choramingar ou criticar a sociedade por um tratamento injusto.

Não é.

Até porque, 11 anos depois de ir para a reserva, já não me sinto vítima de tais agressões.

Aliás, mesmo na ativa nunca me ofendi com a percepção equivocada do povo. Segui fazendo meu trabalho.

As vezes, até me orgulhava de ser visto como o cachorro do governo. Sim, o policial também é chamado pejorativamente de cachorro.

E se não bastasse a vontade de ofender usando o pobre animal, ainda diminuiam o incauto: ele é do governo.

O motivo do meu texto hoje é um só.

Ví com horror o caso do pastor que é pai dos netos.

Isto mesmo: se você não viu, há um caso muto divulgado atualmente de um pastor que, soube-se agora, é pai dos próprios netos. Ao que parece, ele traia o próprio filho com a nora.

A perversidade e o desrespeito humano chegou a ponto tal que não se respeita mais o próprio filho.

Quem deveria proteger, agride.

Violenta.

Mas este não é um defeito do pastor.

É um defeito ser humano, em que não nos sentimos obrigados a respeitar e considerar ninguém.

E o pastor, é humano como outro qualquer.

Se bem vasculhado, vamos encontrar desrespeitos tais em qualquer ramo da atividade humana.

Mas o pastor?

É porque todos os pastores são iguais: bandidos, mesmo.

Estas profissões, tem uma obrigação moral com o povo.

Elas tem, ou deveriam ter, o dever de resguardar as virtudes sociais.

Não com lição de moral.

Não com sermões eloquentes.

Não com cobranças em praça pública.

Mas com exemplo. Suas condutas deveriam ser de tal forma inquestionáveis que se tornariam faróis para o povo.

Quer saber como é um homem bom, justo e honesto? olhe para o Padre, o Pastor e o Policial. Logo, quando um erra, a sociedade perde sua referência.

E todos pagam por isto.

RAPIDINHA: Assim como o Padre, o Pastor e o Policial, é o juiz. Perdemos, com a popularização do STF, a referência do verdadeiro juiz. Por isto, o ministro André Mendonça, em evento da OAB no RJ este final de semana, precisou dizer o óbvio. Em tempos pretéritos, seria desnecessário. Mas hoje, torna-se urgente dizer e divulgar. Por isto, transcrevo a fala do ministro segundo o G1:

“Meu grande desafio em qualquer processo é entender o que é certo, decidir de modo certo e fazer isso pelos motivos certos. Ou seja, simplesmente, pelo dever de fazer o certo. Por isso que eu não tenho a pretensão de ser uma esperança, ou alguém diferente em algum sentido, com algum dom especial. Não. Tenho só a expectativa de tentar fazer o certo pelos motivos certos. Acho que esse é o papel de bom juiz. O papel do bom juiz não é ser estrela. É simplesmente assumir a responsabilidade e julgar. E, como eu sou cristão, pedindo a Deus que eu julgue de forma certa, reconhecendo ao mesmo tempo que não somos perfeitos”.

Publicado em 04/03/2026