
Avelar Lopes de Viveiros – CEL PM RR-Experiente em segurança Pública
Democracia, não é uma palavra vazia.
Ela tem e faz muito sentido. Na verdade, democracia se refere a um conjunto de valores que não podem ser considerados separadamente.
Gramaticamente a democracia fala de um governo estabelecido e exercido por um povo, através de seus representantes.
Mas isto é muito pouco, se não formos capazes de distinguir no seu meandre, conceitos como garantia e igualdade de direitos, liberdade de expressão, voto popular, alternância de poder e desenvolvimento humano.
Assim, a supressão de qualquer destes elementos característicos de uma democracia saudável, redunda na supressão da própria democracia.

O mundo acha-se cada vez mais confrontado por estes princípios: como garantir uma verdadeira democracia e ter segurança institucional?
A defesa da democracia, e da soberania, foi argumento para as piores ditaduras na história da humanidade. A maioria delas, coincidentemente, de extrema esquerda que propugna estabelecer um governo popular.
Foi assim na Rússia, na China, na Coréia do Norte, em Cuba, etc.
Mesmo ditaduras históricas, como as do Irã, Arabias e Afeganistão não escapam desta verdade, se considerarmos que um forte argumento para sua perpetuação, está justamento na preservação de cultura onde se lê: interesse da população governada.
Ocorre que democracia e soberania não andam juntas pois a soberania, neste caso, presta-se apenas para proteger o governo ditador, nunca o povo subjugado a pretexto da democracia.
Isto, equivale a dizer que a democracia vale menos que a soberania. E esta é a questão do momento: A soberania se sobrepõe à democracia? Um governo sabidamente ditador, e aqui estamos considerando apenas a teoria, deve ser preservado em nome da soberania?
Esta resposta vale para nações ou também vale para Estados membros? Para tornar a pergunta mais clara: os governos municipais e Estaduais devem sofrer intervenção quando falham nas suas obrigações, ou poderíamos falar de uma certa soberania?

É uma pergunta retórica pois sendo estados membros, não há independência que garanta a soberania.
Mas estamos falando de um exercício, considerando que o governo é do povo.
Ocorre que os Estados soberanos tem a delegação para intervir nestes casos. Logo, é legítimo a intervenção.
Mas e no caso das nações? Neste caso, o povo não delegou a ninguém este direito intervencionista. Eis a questão vivida hoje na Venezuela.
Democracia refere-se, em termos absolutos, à delegação do poder do povo para o governante. Quando este poder é sequestrado, por qualquer elemento que seja, e sob qualquer pretexto, não há democracia. Logo, a ditadura só será eliminada por força daqueles que a perderam, diretamente ou por seus representantes.
Historicamente, as ditaduras só desaparecem quando apodrecem. O germe do poder as consome por dentro. Mas isto demanda tempo. Enquanto isto, o povo que deveria ter “desenvolvimento humano”, padece a mais dura opressão sem nunca entender como chegou àquela situação. O processo é lento e enganoso. Só perceptível quando a volta se torna dolorosa demais.
Rapidinha: Há muitas teorias das motivações para os EUA terem invadido e prendido um governo soberano em território alheio. Obviamente, os interesses são muito mais internos aos americanos do que ao mundo. Lógico que estão defendendo sua própria soberania. O que eles querem na Venezuela, é o mesmo que a China conseguiu em troca de apoio a um governo conhecidamente ditador. Sim, paga-se para ter um ditador no comando paga-se com 80% de seu petróleo levado pelos chineses. E todo recurso daí advindo presta-se à corrupção e à manutenção da própria ditadura.
Aí está a resposta ao nosso dilema: os Venezuelanos claramente perderam parte de sua Soberania; Mas poderão recuperar a democracia.
O que eles acham disto: menos soberania, mais democracia?
Seria o mesmo que pensa aquele morador de um município cujo o governante foi afastado por corrupção?
É claramente condenável o que Trump decidiu com relação à Venezuela.
Mas qual a opinião do Venezuelano médio, aquele que já não tinha perspectiva de vida?
O que eles darão aos americanos, até com gratidão, não é o mesmo que davam obrigatoriamente à China?
Eis a questão que o mundo não consegue enfrentar.
Publicado em 05/01/2026







