
Recentemente uma “Especialista” em Segurança Pública virou meme por sugerir que um policial deveria abster-se do uso de armas de fogo, uma vez que seria fácil dominar um traficante com o uso de uma singela pedra, se bem arremessada no cocuruto do fascínora.
Demorei-me a absorver o porque do tratamento jocoso com a profissional que, em especializar-se em tão delicado tema, tenha se aparvoado tanto, como se aparvoam muitos profissionais que desafiam impolutas figuras destinadas a desvendar as vicissitudes de tão nobre atividade humana: a Segurança Pública. /i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/6/l/0FsUa6Ra26FnAA5DV0Bw/jn-limpo-20251029-1905-frame-102068.jpeg)
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Percebendo um ciuminho no ar, daqueles que, lidando com a realidade do patrulhamento nas ruas, na investigação do crime, na segurança prisional, ou qualquer outra atividade de “Segurança Pública”, não tenha tido tempo, disposição ou vontade de “estudar” a profissão que abraçou.
Daí, parece-lhes impossível que do nada, pois crêem que do nada nada vem, então do nada mesmo, surja uma tão vistosa cabeça capaz de destrinchar-lhe a profissão. Mas se pensarmos bem, a moça nem foi tão avoada assim.
Pensando seriamente sobre o tema, fumaça poluindo o apartamento e a vizinhança, me ocorreu que já houve algo assim.
Me lembro de um certo menino que, tendo vivido a experiência de derrotar um urso e um leão, não se acovardou diante de um gigante que não só desafiava o povo judeu, como lhe metia medo ao ponto de ninguém encarar o bravateiro.

Com 5 pedrinhas no alforge, ou na gibeira, que seja, e um bodoque na mão, meu pai dizia que era uma funda, o garoto de mira certeira destruiu a empáfia do arrogante arruaceiro sem muita delonga.
Suscitar tal possibilidade não deveria, portanto, ser causa de ruína midiática, mas de promoção social, de tornar-se tema de artigos científicos, estudos de caso e, quem sabe, até de ser assunto para a redação do Enem. Mas não foi.
Do alto da minha indignação, continuo eu: há algo de proveitoso misto? Com certeza.
Depois de muito refletir no assunto conclui que a moça está um pouco fora da realidade. Não que ela esteja de todo errada. Ela só não está de todo certa. Talvez, nada certa. Explico: os meliantes que temos hoje não usam espada ou armadura nem andam a cavalo.
Estão um pouquinho melhor equipados. E se foi difícil para o menino Davi, muito mais será para os policiais de hoje em dia. Então, talvez não fosse o caso de uma pedrinha apenas. Por isso os estados e governos gastam tanto com equipamento e armamento moderno. Porque a violência se modernizou.
Não se pode querer uma polícia medieval a combater um crime cibernético ou transnacional. Logo, concluí que um especialista deve estudar bastante, mas nem sempre compreende bem a profissão. Porque lhe falta os meandres. E eu, que sempre me arvorei a dizer-me um especialista em segurança pública, tive que mudar de posição. Não que eu não tenha estudado, pois estudei muito.
Acontece que, mais do que estudado, experimentei a realidade da profissão e a experiência me ensinou mais do que as teorias. Por isso, para não ser confundido com “especialistas” , decidi que a partir de hoje, não serei mais um especialista; Me conformarei em ser um experiente em segurança pública.
E isto não é pouco. Você não se torna experiente sem ser especialista. Por isto tantos anos de preparo nas Academias de Polícia. Assim, para dar visibilidade e amparo a estes novos profissionais, estou criando a Associação Nacional dos Experientes em Segurança Pública.
Nossos filiados terão a legalidade para desmascarar, corrigir e até achincalhar os especialistas de gabinete. Essa moça, de boa vontade mas de má intenção, deu oportunidade para o surgimento de uma nova classe no Brasil. Infelizmente muitos vão querer, mas é preciso viver para se tornar Experiente.
Rapidinha: O Derrite, Secretário de Segurança Pública de São Paulo e Capitão da ROTA, é um membro honorário da nossa Associação Nacional dos Experientes em Segurança Pública.
Semana passada, ele esteve com a guilhotina no pescoço por não conseguir aprovar a chamada lei antifacão, que relatou. Muitos especialistas vaticinaram seu fracasso, e queda do governo Paulista.
Apostavam no arranjo mambembe do governo federal. Cumprida a tarefa, com a experiência a lhe guiar no terreno pantanoso do congresso nacional, deu duro golpe no governo federal, afagando governos de direita e grande parte da popuação ordeira.
A coisa complicou para o crime organizado e desorganizado também. Com isto, o Derritenão só se firmou no cargo de secrretário, como abriu caminho para ser o próximo ministro da justiça.
Sim, de uma paulada (ou paulistada), ele derrotou o Nine e ainda cacifou Tarcisio.
Este, que não é bobo, correu para as redes a anunciar: “aprovamos a lei que o brasileiro quer. A lei que endurece a luta contra o crime”. No mundo de experientes, especialistas tem que rebolar.
P.S.: para não dizer que não falei da prisão de Bolsonaro: o que aconteceu no banco Master?
Avelar Lopes de viveiros – Experiente em segurança pública
Publicado em 24/11/2025






