Coronel Viveiros – CEL PM RR
As duas primeiras guerras mundiais deveriam ter ensinado algo para o mundo. Deveriamos ter saído delas mais sabios, mais prudentes, mais espertos. Ao contrário disto, saimos da segunda guerra direto para a guerra fria. O mundo dividido entre os EUA e a URSS, usava as ameaças de uma terceira guerra como pêndulo na balança geopolítica. Um hora pendendo para um lado, outra hora para o outro, ela, a ameaça, sempre estava lá, pairando sobre nossas cabeças como um guardião da paz. Abaixo dela, todo tipo de artimanha econômica, financeira e territorial se movia sob a egide de uma ameaça nuclear até que…
Em 1991 cai a União Soviética não pela mão dos EUA, mas pelas mãos do Russo Mikhail Gorbachev que implantou a Glassnost, ou transparência, capaz de derrubar qualquer ditadura. Em dezembro daquele ano, o parlamento da URSS reconhece a independência das 15 repúblicas que a compunham. Esse foi o fim melancólico da grande potência que, por vezes confrontou a liderança inconteste dos Americanos. Se houve melancolia pelo lado comunista, que não demorou a erigir novos paraísos imaginários, pelo lado da economia de mercado havia uma excitação: o mundo se expandia economicamente. Se houve expansão econômica, houve mudanças no tabuleiro geopolítico.
A Rússia sob Putin, não desistiu do império ancestral. Sonha, a custo de guerras e invasões, reconstruir um reino perdido. Georgia e Crimeia pareciam alimentar esta possibilidade. Mas a Ucrânia deixa a impressão que o urso comunista já não é mais o mesmo.
Pelo lado capitalista, o dragão chinês parecia um adversário a altura para o Tio Sam. A prevalência econômica sobre nações “subdesenvolvidas”, ou em desenvolvimento para não ferir sentimentos, fazia com que o dragão cuspisse fogo na direção da Água do Norte. Até que…

Ninguém acreditava que o Trump, um fanfarrão, endoçaria um ataque ao Irã. Pelo sim pelo não, o Irã sinalizou o fechamento do estreito de Ormuz (saiba mais sobre isto no instagram @Celviveiros), e liberou seus asseclas do houthis no Iêmen para ameaçar embarcações ocidentais no mar Arábico. Não foi suficiente: Trump autorizou um bombardeio que alcançou três instalações nucleares no Irã: Fordow, Natanz e Esfahan. Teremos agora uma terceira guerra?
Há décadas Israel lida com as sucursais do Exército Iraniano nas suas fronteiras, a saber: Hezbollah e Hamas. Estes, usando território Libanês e de Gaza, avançavam sobre Israel e fugiam, expondo a população civil a um conflito que eles não pediram. Longe do conflito, Teerã parecia a salvo de uma retaliação direta. Quase nunca prevemos o que de fato vai acontecer.
De tudo isto, o que resta? O Irã, sem suas instalações nucleares poderá não ter condições de produzir uma bomba atômica tão cedo para atacar seus inimigos que se avolumam. Fechar o estreito de Ormuz? pode levantar a ira de seus vizinhos árabes, além do eterno inimigo: o Iraque. Não bastasse isto, há uma possibilidade real de um levante interno que tire o sossego de seus ditadores. Logo, não parece ser viável uma ofensivo regular do exército Iraniano contra qualquer alvo no ocidente. O jogo, provavelmente, será o uso de ataques terroristas.
A Rússia gostaria de poder ajudar seu velho amigo e mostrar as garras. Tem armas e tem coragem para isto. Mas por enquanto, está atolada num pátio chamado Ucrânia, que a impede de qualquer atitude realista neste momento. Corre ainda o risco de mostrar que suas garras já não estão tão afiadas. Então, ronronar algo sobre armas atômicas seja sua única resposta viável neste momento.
A China, a grande incógnita. Pode ser que sim, pode ser que não. Com uma população de quase um bilhão e meio de habitantes, parece estar mais focada em crescer economicamente e dominar o mundo pela dependência do que por uma conquista militar. Repito: pode ser que sim, pode ser que não. Eu, neste momento, aposto que não.
Não controlamos nenhuma variável. Mas a mais inconstante delas é o humor dos líderes políticos. Quando os governos decidem ir para a guerra, não são eles que vão. São os soldados. E os soldados, não costumam discutir ordens. Preparados para a guerra, busquemos sempre a paz.
Por falar nisto, o Brasil fez o desfavor de alinhar-se rapidamente ao Irã. Num momento em que o mundo livre busca livrar-se de ameaças reais, o Brasil brinca de bloquinho comunista. Nossa diplomacia nunca esteve tão nanica. Espero que não testem nossas Forças Armadas.
RAPIDINHA: A jornalista Eliane Catanhêde foi infeliz ao comentar, esta semana, as mortes em Israel ao dizer que via “uma mortezinha aqui, outra ali…”. A dúvida dela era se isto ocorria pelo tipo de edificação ou o tipo de material usado nos misseis iranianos. Desde o ano 70 depois de Cristo, os Judeus são vistos assim: um judeuzinho aqui, outro alí. Integrante do maior grupo de imprensa nacional, Castanhede deu uma amostra de como anda a imprensa brasileira. Alguém precisa avisá-la: não se trata do tipo de edificação, muito menos da munição. Se trata de proteger civis, e mirar civis. Nem sempre quem mira, erra.
Avelar Lopes de Viveiros- CEL PM RR – Especialista em Segurança Pública






