Areavip – História de Joaquim Mamede
Na semana passada, depois do telefonema de 21 de novembro entre Donald Trump e Nicolás Maduro, outro movimento diplomático importante ocorreu longe dos holofotes. Fontes oficiais confirmaram que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com Maduro — o primeiro contato direto entre os dois neste ano.
Segundo relatos obtidos pela coluna, o diálogo teve tom “amistoso”, algo raro após longos períodos de distanciamento. Lula manifestou preocupação com a presença militar dos EUA na região do Caribe e reforçou que o Brasil está disposto a contribuir para evitar um agravamento do conflito. Apesar das pressões americanas, Maduro não mencionou nenhum ultimato de Trump durante a conversa. Para interlocutores em Brasília e Caracas, o simples fato de os dois terem retomado o diálogo já representa um avanço estratégico.

Por que a ligação aconteceu?
Os motivos exatos foram mantidos sob sigilo, mas fontes afirmam que o Brasil considerou essencial restabelecer o contato em um momento em que Maduro mantém conversas frequentes com Trump. Lula avalia que, diante das tensões crescentes, o país pode desempenhar um papel de mediação.
Outro elemento que ajudou a impulsionar a ligação foi a recente visita do empresário brasileiro Joesley Batista a Caracas.
Embora o governo brasileiro garanta não ter participado do encontro, o gesto foi interpretado como um movimento relevante no tabuleiro político e pesou na decisão de reaproximar Lula e Maduro.

Cenário regional e risco de crise
Lula tem alertado Trump sobre os riscos de uma ação militar e defendido alternativas políticas e diplomáticas. O Brasil mantém conversas paralelas com outros governos, entre eles a Colômbia de Gustavo Petro, que chegou a oferecer Cartagena como possível local para um encontro entre Trump e Maduro — proposta que não avançou devido ao receio de Maduro de viajar e ser detido.
A Turquia também entrou em cena. No último fim de semana, Erdogan telefonou para Maduro, em conversa divulgada oficialmente, onde ambos trocaram avaliações sobre a escalada militar dos EUA no Caribe.
Publicado em 12/12/2025




