
Mudanças no sono, irritabilidade e resistência para voltar à escola são reações comuns nas primeiras semanas do ano letivo.
Segundo psicólogo, especialista em orientação parental, o período exige mais do que organizar mochila e uniforme: é preciso preparar emocionalmente a criança para a transição das férias para a rotina.
“O retorno às aulas representa uma quebra importante de ritmo. Quando acontece de forma brusca e repentina, pode gerar insegurança emocional, estresse e até sintomas físicos, como dores de cabeça ou de barriga”, explica.
Ajustar gradualmente os horários é uma das medidas mais eficazes, sendo que o sono é um dos pontos essenciais deste processo.
“O ideal é antecipar o horário de dormir em cerca de 15 a 20 minutos por noite até alcançar o despertar da rotina escolar. O mesmo vale para refeições, banho e momentos de descanso. A previsibilidade reduz a ansiedade porque a criança passa a saber o que esperar do dia”, indica.
Criar pequenos rituais também pode ajudar no retorno às aulas, conforme o psicólogo.
“Separar o material juntos, escolher a roupa na noite anterior e conversar sobre quem ela encontrará na escola tornam a volta mais concreta e ajuda a diminuir a ansiedade”, explica.
Outro ponto fundamental é acolher os sentimentos.
“Nem toda resistência é birra, muitas vezes é ansiedade. Quando o adulto minimiza ou apressa a criança, ela se sente sozinha diante do medo”, afirma.
Perguntas abertas como “o que você acha que vai ser mais difícil?” ou “tem algo que te preocupa?” facilitam a expressão emocional.
Segundo o especialista, alguns comportamentos merecem atenção dos pais.
São eles, choro intenso por mais de duas semanas, queixas físicas frequentes antes de sair para a escola, regressões (voltar a fazer xixi na cama, por exemplo) e alterações persistentes no sono ou apetite.
“Nesses casos, vale conversar com a escola e considerar avaliação profissional”, diz.
A parceria com professores também contribui para a adaptação. Avisar sobre mudanças recentes — nascimento de um irmão, divórcio dos pais ou estar de casa nova — permite que a equipe escolar ofereça acolhimento mais adequado.
Para o psicólogo, o principal é evitar pressa.
“A adaptação é um processo, não um dia específico. Quando a criança se sente segura emocionalmente, o aprendizado acontece com mais naturalidade.”
Preparar a volta às aulas, portanto, vai além da lista de materiais: envolve sono, rotina previsível, escuta ativa e presença emocional dos cuidadores. “São fatores que tornam o início do ano mais leve e positiva para toda a família”.
Publicado em 25/02/2026






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