TRÁFICO

Os EUA fizeram o que Maduro mais temia.

JAPAN-US-DIPLOMACY

História de Realidade Militar

Uma mudança discreta, de apenas três letras, transformou o destino de Nicolás Maduro na Venezuela e acendeu um alerta global. Em 24 de novembro de 2025, entrou em vigor a designação que classifica o chamado “Cartel de Los Soles” como uma Organização Terrorista Estrangeira, ou FTO (do inglês Foreign Terrorist Organization).

Oficialmente, essa decisão coloca Maduro, apontado como o líder do Cartel pelo Departamento de Estado americano, no mesmo patamar de figuras como Osama Bin Laden e Al-Baghdadi.

O Fim da Imunidade Presidencial

Até então, mesmo com todas as tensões, Maduro era tratado como um chefe de Estado. Isso significava que existiam protocolos diplomáticos e leis internacionais que limitavam o que os Estados Unidos podiam fazer.

The U.S. Navy guided missile destroyer USS Gravely is docked at Rafael Cordero Santiago Port of the Americas on September 11 in Ponce, Puerto Rico....

A nova designação, no entanto, elimina esses limites:

  • Criminalização de Suporte: Qualquer indivíduo ou empresa que preste “suporte material” a Maduro, o que inclui transferir dinheiro, fazer negócios ou fornecer equipamentos, comete um crime federal nos EUA.
  • Congelamento de Ativos: Todos os ativos de Maduro em território americano ou em bancos que operam com o sistema financeiro dos EUA são congelados imediatamente.
  • Ameaça de Força Militar: O mais grave é que a designação FTO confere ao Presidente dos EUA a autoridade de usar força militar contra a organização terrorista sem a necessidade de pedir permissão ao Congresso.

O presidente Donald Trump já deixou claro o que isso significa: como Maduro é o líder do Cartel, qualquer infraestrutura do governo venezuelano, de bases militares a refinarias de petróleo e até a residência presidencial, pode ser considerada um “ativo do cartel” e, portanto, um alvo legítimo.

Aircraft carrier and fighters at sunset in the sea

A reação de Maduro à escalada americana tem sido notável. Enquanto em novembro de 2025 o Secretário de Estado, Marco Rubio, anunciava a designação FTO, cerca de 15 mil soldados americanos cercavam a Venezuela. O porta-aviões nuclear USS Gerald R. Ford, o maior e mais letal do mundo, foi posicionado a 500 quilômetros da costa, na maior mobilização militar americana na região desde 1989.

Diante do cerco iminente, o discurso de Maduro mudou drasticamente.

O homem que por meses chamou Trump de imperialista e prometeu “luta armada” subitamente começou a pedir paz. Em uma atitude considerada bizarra, ele chegou a cantar a música pacifista “Imagine” de John Lennon durante um comício, e três dias após o anúncio de Rubio, apareceu na televisão estatal falando em inglês, olhando diretamente para a câmera, dizendo: “Yes, peace. Yes, peace.”

O medo de um ataque externo e, principalmente, de um golpe interno também está evidente. No início de novembro, Maduro reformulou o aplicativo governamental VenApp para transformá-lo em um sistema de vigilância em massa, pedindo à população que denuncie “atividades suspeitas” e “tudo que ouvem, tudo que leem,” criando um clima de intensa paranoia no país.

Publicado em 28/11/2025