
O Papa Leão XIV tem revolucionado a igreja católica, não por transformar os dogmas da religião que governa, mas por colocar termo a estes dogmas.
Ao longo do tempo, interpretações extensivas da doutrina católica foram distorcendo seus princípios.
Colocar termo, implica em trazê-las de volta ao padrão bíblico. Por isto, a Nota Doutrinária expedia no último dia 4/11/2025. Nela, a “Santa Sé” discute o que chamou de Mater Populi fidelisNota doutrinal sobre alguns títulos marianos referidos à cooperação de Maria na obra da Salvação.
Sem espaço aqui para discutir o assunto, não pretendo fazê-lo, anoto alguns pontos que, do meu ponto de vista são relevantes para informar quem queira saber mais sobre o assunto.
Vejo muitos comentários sem sentido em redes sociais pelo simples fato de não conhecerem o que diz o Papa.
Não, a igreja católica não está rompendo com seus dogmas. Está apenas esclarecendo como entendê-los e como aplicá-los no dia a dia da igreja. Isto fortalece a igreja e a aproxima da Cristandade.
Esclareço que o texto que se segue foi extraído de https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_ddf_doc_20251104_mater-populi-fidelis_po.html , documento de 12 páginas, que resumo assim:
“A presente Nota responde a numerosas consultas e propostas que chegaram à Santa Sé nas últimas décadas – de modo especial a este Dicastério (órgão que trata da evangelização, doutrinas e família) – sobre questões relacionadas com a devoção mariana e, particularmente, sobre alguns títulos marianos.

Pela primeira vez, os jovens membros do International Youth Advisory Body (IYAB) se encontraram com o Papa Leão XIV
São questões que preocuparam os recentes Pontífices e que foram repetidamente tratadas nos últimos trinta anos nos diversos âmbitos de estudo do Dicastério, como Congressos, Assembleias ordinárias, etc.
Isto permitiu a este Dicastério contar com um abundante e rico material que alimenta a presente reflexão.
O texto, ao mesmo tempo que esclarece em que sentido são aceitáveis, ou não, alguns títulos e expressões referentes a Maria, propõe-se aprofundar nos adequados fundamentos da devoção mariana precisando o lugar de Maria em sua relação com os fiéis, à luz do Mistério de Cristo como único Mediador e Redentor (destaquei). Isto implica uma profunda fidelidade à identidade católica e, ao mesmo tempo, um particular esforço ecumênico.

Maria não é objeto de um culto que se equipara ao de Cristo, mas que se insere no mistério de Cristo através da Encarnação.
Ela é a Theotokos, a Virgem Mãe que apresenta seu Filho Jesus, o Cristo, e é, ao mesmo tempo, a Odēgētria que mostra, apontando com sua mão, o único Caminho que é Cristo…
…O título de Corredentora aparece no século XV como correção à invocação de Redentora (como abreviação de Mãe do Redentor) que Maria vinha recebendo desde o século X…
Na Sessão Ordinária (Feria IV) de 21 de fevereiro de 1996, o Prefeito da então Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal Joseph Ratzinger (Papa Bento XVI), diante da pergunta se era aceitável a petição do movimento Vox Populi Mariae Mediatrici para uma definição do dogma de Maria como Corredentora… em 2002, expressou publicamente sua opinião contrária a este título: «A fórmula “Corredentora” distancia-se em demasia da linguagem da Escritura e da Patrística e, portanto, provoca mal-entendidos… Tudo procede d’Ele, como dizem sobretudo as Cartas aos Efésios e aos Colossenses. Maria é o que é graças a Ele. A palavra “Corredentora” obscureceria essa origem». O Cardeal Ratzinger não negava que houvesse na proposta de uso deste título boas intenções e aspectos válidos, porém sustentava que era um «vocábulo equívoco»
O então Cardeal mencionava as Cartas aos Éfesios e aos Colossenses, onde o vocabulário utilizado e o dinamismo teológico dos hinos apresenta, de tal modo, a centralidade redentora única e fontalidade do Filho encarnado que resta excluída a possibilidade de agregar outras mediações…”
RAPIDINHA: Que fique bem claro que os Cristãos Evangélicos, na sua numerosa maioria, não odeiam Maria, nem tão pouco a desrespeitam ou desconsideram.
Compreendemos o valor de mãe assumido pela jovem convocada para uma árdua missão, mas também uma missão de honra: ser a mãe de Cristo.
Por isto, não é demais a deferência dada a ela. A crítica evangélica estava justamente no papel de Corredentora dado a Maria.
A Nota Doutrinária esclarece o assunto para Católicos e Evangélicos, eliminando o ponto sensível para ambos.
Surpreendente que não é uma discussão nova na igreja de Roma: data, segundo o texto, do século X.
Neste ponto da discussão, nos unimos a Bento XVI, ao dizer que “resta excluída a possibilidade de agregar outras mediações à obra de Cristo”.
muitos, acreditamos em Atos 4:12 que diz: Não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos”.
O Cristianismo ganhou com a eleição de Robert Francis Prevost, o Leão Católico.
Avelar Lopes de Viveiros – CEL PM RR – Especialista em Segurança
Publicado em 10/11/2025



