Opera Mundi – História de Tabitha Ramalho
Cilia Flores, esposa do presidente venezuelano Nicolás Maduro, nasceu em 15 de outubro de 1956 em Tinaquillo, na região central da Venezuela. Ela cresceu em bairros operários da zona oeste de Caracas.
Formada em Direito pela Universidade Santa Maria, com especializações em Direito do Trabalho e Penal, sua ascensão à proeminência ocorreu em 1992, quando liderou a equipe de assistência jurídica ao líder militar Hugo Chávez, após sua tentativa de golpe contra o presidente Carlos Andrés Pérez.
Segundo relatos, Flores ajudou a garantir a libertação de Chávez da prisão em 1994, preparando o terreno para sua eventual e sucedida candidatura à presidência em 1999.
Tornou-se uma figura importante do movimento chavista, onde conheceu seu futuro marido, Nicolás Maduro. Os dois são parceiros há mais de três décadas; ele a chama de ‘Cilita’. Ela também tem três filhos de um casamento anterior.
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Carreira política
Contrariando narrativas que a reduzem ao papel de esposa, a ascensão de Flores não se deu apenas por sua posição como parceira de Maduro. Na verdade, ela construiu sua própria posição política antes de se tornar a “primeira-combatente” da Venezuela, termo chavista usado em vez de “primeira-dama”.
Em 1999, Chávez foi eleito presidente. Um ano depois, em 2000, Flores foi eleita para a Assembleia Nacional da Venezuela, o legislativo federal, representando Cojedes, seu estado natal.
Reeleita em 2005, sucedeu o próprio Maduro na presidência do parlamento em 2006, tornando-se a primeira mulher no cargo. Em 2009, ascendeu à vice-presidência do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e, em 2012, foi nomeada procuradora-geral por Chávez.
Após a morte de Chávez em 2013, Maduro o sucedeu ao vencer as eleições contra o candidato da oposição, Henrique Capriles. Em julho de 2013, Maduro e Flores se casaram após mais de duas décadas juntos.
Após esse momento, dizem que sua nova posição como “primeira-combatente” fez com que Flores se afastasse dos holofotes e começasse a trabalhar nos bastidores.
No entanto, em 2017, ela retornou à política após ser eleita para a Assembleia Constituinte, grupo encarregado de redigir uma nova Constituição venezuelana. Em 2021, foi eleita novamente para a Assembleia Nacional.
Na época de seu sequestro, ela ainda exercia o cargo de deputada na Assembleia Nacional.
Na Venezuela, setores da oposição a acusaram de nepotismo por nomear familiares para cargos políticos.

Sequestro e acusações
O papel de Flores como parte do círculo íntimo de Maduro também trouxe repercussões internacionais. Ela foi sancionada pelas autoridades dos EUA e do Canadá em 2018, depois que a Organização dos Estados Americanos afirmou que o governo Maduro havia cometido crimes contra a humanidade.
Sequestrada no sábado (03/01), espera-se que ela seja apresentada com Maduro a um tribunal de Nova York nesta segunda (05/01). Enquanto imagens mostraram a chegada de Maduro aos EUA, o paradeiro de Flores não foi divulgado.
Foi indiciada no Distrito Sul de Nova York por acusações semelhantes às de Maduro, como “conspiração para narcoterrorismo” e “conspiração para importação de cocaína”, conforme publicação da procuradora-geral Pam Bondi.![]()
Os sobrinhos de Flores já haviam sido presos nos EUA e, em 2017, foram condenados a 18 anos de prisão por conspiração para tráfico de cocaína para os EUA. Eles foram libertados em 2022 como parte de uma troca de prisioneiros com a Venezuela por sete cidadãos americanos presos.
O sequestro ocorre após uma escalada militar: os EUA atacaram embarcações com cidadãos venezuelanos pelo menos 30 vezes nos últimos meses, resultando em mais de 100 mortes.
O governo Trump alegou que os barcos transportavam narcotraficantes, mas nunca apresentou provas públicas da presença de drogas, do destino ser os EUA ou do vínculo das vítimas com organizações criminosas.
O post Quem é Cilia Flores, a chamada ‘primeira combatente’ da Venezuela apareceu primeiro em Opera Mundi
Publicado em 06/01/2025



