LUTA

Da luta ao lucro: Wand e Popó largaram o tribunal para ganhar dinheiro e virar página.

Popó x Wanderlei Silva Spaten Fight Night 2025 — Foto: William Lucas e Gaspar Nóbrega/Inovafoto

Por Zeca Azevedo — Rio de Janeiro

A confusão após a luta entre Acelino Popó Freitas e Wanderlei Silva, em setembro passado, prometeu uma guerra nos tribunais e clima de animosidade em possíveis encontros.

Alguns dias e cifras depois, o que se viu não foram tribunais de cenários, mas campanhas publicitárias nacionais que geraram lucro e amenizaram um pouco a imagem de ambos.

Na retrospectiva 2025 do Combate, convidamos os comentaristas da TV Globo e do Combate Daniel Fucs e Ana Hissa a compartilharam análises a respeito do que ocorreu após a confusão em São Paulo.

No dia 27 de setembro do ano passado, após Wanderlei ser desclassificado por uma série de golpes ilegais na luta de boxe com Popó, o pugilista tetracampeão mundial foi declarado vencedor por nocaute técnico. Imediatamente, integrantes dos dois times entraram no ringue e promoveram uma selvageria. No saldo, Popó foi agredido pelo técnico de Wanderlei e ex-lutador André Dida, enquanto Wanderlei foi nocauteado e ficou desacordado após ser agredido pelas costas por Rafael Freitas, filho do pugilista.

– Primeiramente, continuo achando muito lamentável tudo que aconteceu. Para o esporte, continuo achando que não foi bom e tudo que for relacionado a briga e esporte para mim sempre vai colaborar para tirar um pouco da nossa luta de desmarginalizar o esporte. Mesmo tendo explodido e furado a bolha, ter caído na boca do povo, não foi a forma como eu, que trabalho com isso, acho positiva. Mas é um fato que explodiu e os lutadores souberam fazer do limão uma limonada. Como nos dias de hoje tudo que vai na internet e extrapola o nicho, foi o que aconteceu com essa luta e as marcas souberam tirar proveito usando a imagem dos dois, como quando teve a propaganda do Tyson devolvendo a orelha para o Holyfield – avaliou Ana Hissa, citando uma campanha de 2013 de uma loja de calçados americanos com uma marca de tênis.

Logo que a luta terminou, do lado de Wanderlei o advogado Claudio Dalledone prometeu processar o filho de Popó. Ele afirmou que Rafael poderia ser acusado até de tentativa de homicídio. Wanderlei prometeu não deixar passar o ocorrido.

Popó, do outro lado, ressaltava ter sido agredido por Dida, mas pedia que fizessem as pazes. E ela veio, ao menos na TV. No dia 16 de outubro, uma hamburgueria de marca mundial levou os dois ao ar num clima de amizade, enquanto trocavam sanduíches na promoção. Segundo apuração da revista Piauí, cada um teria levado cachê de R$ 250 mil.

– Me pareceu uma inteligente jogada mercadológica a utilização de Popó e Wanderlei juntos nas propagandas. Um oferecendo sanduíche para o outro e até coroando o “adversário” – avaliou Fucs.

Publicado em 03