Imagens aéreas da unidade da Anglo American em Barro Alto | Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção.
Jornal Opção – Cilas Gontijo
Barro Alto, cidade do norte de Goiás localizada no Vale do São Patrício, com cerca de 11 mil habitantes, está no centro de uma disputa internacional entre chineses, europeus e americanos por suas reservas de ferro-níquel.
O município abriga a mineradora sul-africana Anglo American, que explora níquel em Barro Alto e Niquelândia, além de outras empresas de mineração que geram milhares de empregos e fortalecem a arrecadação municipal.
Apesar do crescimento econômico, comerciantes locais reclamam da falta de políticas públicas que incentivem os trabalhadores das mineradoras a se fixarem na cidade e consumirem no comércio local. “Isso seria fundamental para impulsionar a economia, mas ainda não acontece”, afirma um comerciante da cidade.
Embora a cidade seja bem cuidada em áreas como educação, saúde e zeladoria, Barro Alto ainda não possui sistema de saneamento básico, obrigando a população a usar fossas em quintais. O Produto Interno Bruto (PIB) do município gira em torno de R$ 10 milhões mensais.
Além do ferro-níquel, Barro Alto é um dos maiores produtores de bauxita do Brasil. A TGM, que atua na mineração, beneficiamento e comercialização do minério, responde por cerca de 200 empregos diretos e mantém relações comerciais na América do Sul, Europa e Ásia.

Barro Alto possui a segunda maior reserva mundial de níquel, concentrando 99% da produção goiana, segundo dados da Agência Nacional de Mineração (ANM).
O metal é essencial para a indústria de aço inoxidável, utilizado também em ligas metálicas especiais, produtos eletrônicos, baterias recarregáveis e aviação.
A Anglo American produz ferroníquel na cidade desde 2011, mantendo estabilidade operacional com 39,4 mil toneladas em 2024.
Recentemente, a empresa anunciou a venda de seu negócio de níquel no Brasil à chinesa MMG Singapore Resources, em negociação que pode chegar a US$ 500 milhões, o equivalente a mais de R$ 2,7 bilhões e inclui ativos em Barro Alto, Niquelândia e projetos futuros em Mato Grosso e Pará.
O negócio está sob contestação da concorrente holandesa Corex Holding, que afirma ter oferecido US$ 900 milhões (cerca de R$ 4,9 bilhões) — valor superior ao da proposta atual, mas não conseguiu concretizar a compra.
Na Europa, a transação pode resultar em um processo de investigação pela Comissão Europeia. No Brasil, conforme apurado, o caso deve ser analisado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que já foi acionado
Além disso, a Associação Americana do Ferro e do Aço (AISI) solicitou diretamente ao governo de Donald Trump que intervenha na negociação. As alegações são de favorecimento aos chinesas e risco de concentração de poder no setor.
A mineradora também desenvolve projetos socioambientais, como o programa Juntos pelo Araguaia, com R$ 22 milhões investidos desde 2020, beneficiando propriedades em Piranhas e Bom Jardim de Goiás.
Outras iniciativas incluem educação ambiental, restauração ecológica e preservação de espécies, além de editais sociais que já contemplaram mais de 4 mil pessoas.

O prefeito Álvaro Machado ressalta que, apesar da relevância econômica da Anglo American, a cidade poderia receber mais atenção da mineradora. “A legislação deveria garantir que os municípios de onde extraem riquezas fossem tratados com mais dignidade”, afirma. Ele também demonstra preocupação com a venda para a MMG: “Até o momento, estamos vivendo uma incógnita sobre a atuação dos chineses em nosso município. Esperamos que melhore para todos”.
Publicado em 04/09/2025







