ALFABETIZAÇÃO

Alfabetização vai além das letras e cria vínculos, emoção e cidadania.

No Dia Nacional da Alfabetização, celebrado em 14 de novembro, especialista reforça que a leitura só se transforma em aprendizagem quando existe vínculo afetivo entre criança, família e escola.

Estimular a alfabetização vai além de ensinar letras, envolve despertar emoção, escuta e curiosidade pela leitura. É o que explica a psicopedagoga e escritora infantil Paula Furtado, que atua há mais de 20 anos na educação infantil. “O processo de alfabetizar com compreensão é um ato de cidadania e sensibilidade. Quando uma criança lê e entende, ela se torna capaz de narrar a própria história, e esse é um dos maiores gestos de amor e liberdade que a educação pode oferecer”, afirma.

Para Paula, que tem uma carreira dedicada à educação infantil, o ensino do letramento vai muito além do simples reconhecimento de letras e sons. “A leitura que transforma é aquela capaz de despertar pensamento crítico, imaginação e emoção. Ler é um ato cognitivo, afetivo e simbólico, e quando essa etapa se limita à técnica, o encantamento se perde, e sem ele não há aprendizagem verdadeira”, enfatiza.

O ensino ganha força quando a família participa com a escola em atividades que ajudam as crianças a desenvolverem compreensão, criatividade e autonomia, especialmente nesta data. Paula reuniu sugestões. Confira:

  1. Faça da leitura um encontro, não uma tarefa – Ler com emoção, dramatizar histórias, conversar sobre os personagens e relacionar o texto à vida da criança tornam o momento mais afetivo. Projetos como rodas literárias e bibliotecas vivas aproximam os pequenos dos livros e despertam a curiosidade por novos enredos.
  2. Aposte em experiências prazerosas como ‘motor da aprendizagem’ – Assim, o leitor desperta o desejo de ler, impulsiona o avanço cognitivo, amplia naturalmente o vocabulário, desenvolve empatia, pensamento crítico e imaginação.
  3. Equilibre a tecnologia com o contato com os livros – As telas aceleram, mas os livros aprofundam. Recursos digitais como audiobooks, livros digitais (e-books) e vídeos de contação de histórias também podem aproximar as crianças da literatura. O essencial continua sendo o vínculo entre leitor, texto e emoção, com tempo para ouvir, imaginar e conversar sobre as narrativas.
  4. Observe as reações durante as atividades – Trocas de letras persistentes, dificuldade de compreender o que lê, resistência para iniciar a leitura, baixa concentração ou frases como “não gosto de ler” e “não sei ler direito” merecem atenção. Quando a leitura vira sofrimento, é hora de acolher e investigar o que está por trás e buscar orientação psicopedagógica se necessário.

A especialista faz questão de reforçar que o país ainda precisa avançar em políticas públicas permanentes para o desenvolvimento do letramento no país. “Muitos programas mudam a cada gestão, mas a alfabetização não pode depender de vontades políticas. É necessário investimento em políticas permanentes de leitura, bibliotecas, formação de docentes e acesso aos livros desde a primeira infância”, completa.

Paula é pedagoga, formada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com especialização em Psicopedagogia, Neuropsicopedagogia (Facon-SP), Educação Especial, Arte de Contar Histórias e Arteterapia pelo Instituto Sedes Sapientiae e Leitura e Escrita, também pela PUC-SP. A profissional já atuou como assessora pedagógica em escolas públicas e particulares.

Publicado em 11/11/2025