
Toda cultura constrói seus mitos através da arte.
Para Clint Eastwood, o faroeste ocupa esse lugar nos Estados Unidos: uma forma de arte nascida de sua própria história e distinta das tradições herdadas da Europa.
Talvez seja por isso que, algumas semanas atrás, em declarações divulgadas pelo jornal Fotogramas, ele fez comentários que muitos interpretaram como desprezo por sua terra natal, mas que na verdade escondiam uma defesa do gênero que o tornou uma lenda absoluta do cinema (embora ele também tenha brilhado em outros).
“Sinto-me muito ligado ao faroeste. Honestamente, os Estados Unidos não são como a Europa. Não existem muitas formas de arte originais aqui. A maioria deriva de formas de arte europeias. Além do faroeste, do jazz ou do blues, isso é praticamente tudo o que é verdadeiramente original”, podemos ler num texto publicado pelo já mencionado site espanhol.
Com estas declarações, o cineasta de 96 anos, agora aposentado da profissão após nos ter deixado aquela pequena joia, Jurado Nº2 – que pode ser vista no Brasil através da HBO Max -, expressa uma identificação pessoal e artística com o gênero cinematográfico que o catapultou para a fama há mais de 60 anos.

O faroeste que moldou a carreira de Clint Eastwood (ou o gênero que ganhou forma com o cineasta)
Warner Bros. PicturesAssim como diz a sinopse de Horizon: Uma Saga Americana, de Kevin Costner, o fascínio do Velho Oeste e como ele foi conquistado – e perdido – com o sangue, suor e lágrimas de muitos ajudou a construir um senso de nacionalidade nos Estados Unidos.
A forma de refletir isso foi através de filmes ambientados durante aqueles anos tensos, assim como o jazz e o blues nasceram de outras circunstâncias culturais únicas.
Clint Eastwood dirigiu vários faroestes ao longo de sua carreira: O Estranho sem Nome (1973), Josey Wales, o Fora da Lei (1976), O Cavaleiro Solitário (1985) e Os Imperdoáveis (1992), considerado um de seus trabalhos mais importantes dentro do gênero. A esses podemos adicionar Cry Macho (2021), que poderia ser classificado como um neo-faroeste.

Embora, é claro, muitos de nós sempre o lembraremos por seu papel como o Homem Sem Nome na Trilogia dos Dólares, composta por Por um Punhado de Dólares (1964), Por uns Dólares a Mais (1965) e Três Homens em Conflito (1966). Todos eles, aliás, foram dirigidos por um italiano: Sergio Leone.
Publicado em 01/07/2026





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