Nesta quarta-feira, 10 de junho, é comemorado o Dia da Língua Portuguesa, falada por cerca de 260 milhões de pessoas ao redor do planeta e idioma oficial de nove países:
*Angola *Cabo Verde *Guiné-Bissau *Guiné-Equatorial *Moçambique *Portugal *Timor-Leste *São Tomé e Príncipe
E, claro, o Brasil, nação com maior número de nativos e falantes.
A data homenageia o nascimento do escritor português Luís Vaz de Camões, em 1579, autor de Os Lusíadas, o maior poema épico da língua portuguesa e um clássico indiscutível da literatura internacional.
Que português falamos?
A língua portuguesa tem suas raízes no latim vulgar, idioma falado pelos soldados e colonizadores do Império Romano que ocuparam a Península Ibérica a partir do século III a.C.
Com o passar dos séculos, o contato com povos locais e invasões de diferentes origens — como visigodos e árabes — transformou o latim popular em novas formas de expressão, dando origem ao galego-português, falado na região noroeste da península.
A partir do século XII, com a formação do Reino de Portugal, o idioma passou a se consolidar de forma independente, evoluindo até se tornar o português que hoje é falado por milhões de pessoas.
Contudo, a língua portuguesa falada no Brasil é diferente do português falado em Portugal e em outros países, pois sintetiza o encontro entre diferentes culturas.
“O português brasileiro se formou a partir da base europeia trazida pelos colonizadores, mas foi moldado por influências indígenas e africanas, criando uma sonoridade e uma estrutura únicas”, explica Lino Gonzaga de Oliveira, da Brazilian International School – BIS, de São Paulo (SP).
A fama de “língua difícil” acompanha o português há décadas, mas, para a professora Janaína Arruda, da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo (SP), essa ideia precisa ser revista.
Ela explica que a percepção de que um idioma é mais fácil ou mais difícil de aprender depende muito da língua materna de quem o estuda. Isso ocorre porque os idiomas se organizam em famílias linguísticas com estruturas, sons e vocabulários semelhantes.
“Toda língua tem suas complexidades, mas o português não é mais difícil do que o francês, o alemão ou o inglês. Na verdade, nenhum idioma é mais difícil que outro”, afirma Janaína.
Essa percepção pode estar associada à distância entre o português formal, considerado ‘norma’, e o falado no cotidiano, isto é, sua variante linguística mais comum.
“Quando o ensino se volta demais para a norma culta e pouco para o uso da língua, o aprendizado se torna mais desafiador. É importante entender que dominar o português não é decorar regras, mas compreender como ele funciona na prática”, afirma Janaína.
O português no Enem
Foto: Reprodução Enem.
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A língua portuguesa é, sem dúvida, uma das disciplinas que mais pesa no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Além de compor 45 questões na prova de Linguagens, Códigos e Suas Tecnologias, o português é a base da redação, e fundamental para interpretar conteúdos de todas as áreas.
A professora Janaina Arruda avalia a prova como uma verdadeira “maratona de leitura”. “Os estudantes enfrentam muitos textos, de variados tipos. O que tem sido abordado com muita frequência é a interpretação de textos e os gêneros textuais, como crônicas, tirinhas, charges, infográficos. Dessa forma, é preciso trabalhar bastante a habilidade leitora, pois a falta de prática pode tornar a prova cansativa para quem não se preparou ou não tem o hábito da leitura”.
Janaina acrescenta que a língua portuguesa no Enem testa a capacidade do candidato de compreender o uso da língua nas diversas situações comunicativas, por isso é importante estudar a dimensão discursiva da língua, que aborda as variações linguísticas e as funções da linguagem.
“Também se faz necessário entender o uso das figuras de linguagem e como elas estão presentes nas questões que abordam a semântica, a polissemia ou a ambiguidade. As questões de literatura voltam-se para textos mais modernos e contemporâneos e usa também letras de músicas, muitas vezes estabelecendo relações entre textos e dando relevância para os processos sociais e para a formação da cultura brasileira. Além disso, as competências exigidas na redação demandam, sobretudo, domínio de repertório sociocultural”, diz a docente da Aubrick.
Publicado em 09/06/2026







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