CÂNCER

O tratamento e a Vacina contra o câncer, como estão os tratamentos contra a doença?

 

Jornal Opção  –  Junior Kamenachi

A ideia de uma vacina contra o câncer, durante décadas tratada como promessa distante, começa a ganhar contornos concretos na ciência. Pesquisadores já têm candidatos prontos para testes em humanos e o Brasil pode integrar essa nova etapa de estudos clínicos.

Cientistas da Universidade de Oxford estiveram no país na última semana para discutir parcerias com instituições brasileiras e ampliar a realização de ensaios clínicos, especialmente em regiões onde determinados tipos de câncer são mais incidentes.

O tema foi debatido em encontro que reuniu centros de pesquisa, hospitais e representantes do Ministério da Saúde. A proposta é estruturar uma rede de colaboração em áreas como imunoterapia, inteligência artificial e desenvolvimento de vacinas terapêuticas.

Diferentemente das vacinas tradicionais, voltadas à prevenção de doenças infecciosas, as vacinas contra o câncer têm como objetivo estimular o sistema imunológico a reconhecer e destruir células tumorais. Uma das frentes mais avançadas utiliza tecnologias semelhantes às empregadas durante a pandemia de Covid-19, como o RNA mensageiro, que permite o desenvolvimento mais rápido de imunizantes.

Entre os projetos em estágio mais avançado está a LungVax, vacina contra o câncer de pulmão que deve iniciar testes clínicos em humanos. Também há pesquisas em andamento para câncer de mama, ovário e mieloma múltiplo.

Outra linha considerada promissora é voltada a tumores associados ao vírus Epstein-Barr, presente em mais de 90% da população mundial e ligado a cerca de 200 mil casos de câncer por ano.

Em nota ao Jornal Opção, o Ministério da Saúde afirmou que tem intensificado ações para inserir o Brasil no cenário global de pesquisas sobre vacinas contra o câncer, com foco na autonomia tecnológica e na redução da dependência de insumos estrangeiros.

A estratégia envolve parcerias internacionais, incentivo à pesquisa nacional e articulação entre instituições científicas e assistenciais. Um dos eixos centrais dessa política é a cooperação com a Universidade de Oxford, voltada ao desenvolvimento de vacinas com tecnologias de ponta, como o RNA mensageiro (mRNA) e abordagens de medicina personalizada.

Segundo a pasta, a iniciativa busca posicionar o país na fronteira da inovação em oncologia. No âmbito interno, o Ministério tem estimulado a formação de consórcios entre hospitais de excelência, centros de pesquisa e instituições científicas.

A proposta é fortalecer a produção nacional e ampliar a capacidade brasileira em estudos pré-clínicos e clínicos na área oncológica, integrando diferentes etapas da cadeia de inovação. De acordo com o Ministério, essas colaborações permitem alinhar capacidades técnicas, estruturar projetos conjuntos e ampliar a participação do país em pesquisas multicêntricas internacionais.

O financiamento das iniciativas conta com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, que realiza chamadas públicas para fomentar projetos na área. A expectativa é consolidar uma base científica robusta que permita ao Brasil avançar no desenvolvimento de imunizantes contra o câncer.

Apesar dos avanços, a incorporação dessas vacinas ao Sistema Único de Saúde (SUS) ainda depende de uma série de fatores. O Ministério ressalta que será necessário comprovar, por meio de evidências científicas, a segurança, a eficácia e a relação custo-benefício das tecnologias.

Atualmente, os principais entraves para a implementação em larga escala são o alto custo de produção e a necessidade de infraestrutura adequada para a Medicina personalizada. Ainda assim, o objetivo da pasta é preparar o sistema de saúde para absorver inovações capazes de responder às demandas crescentes no tratamento do câncer no país.

Publicado em 12/94/2026