

Imagine-se uma CPMI, hipotética, no governo Bolsonaro, quando se acusasse que um dos filhos dele recebesse 10 reais de propina mensal. Ou cinco reais. Toda a mídia iria viver do sangue que jorraria. O Judiciário determinaria a prisão até do cachorro do presidente. Se não renunciasse, ele seria tratado como bandido.
Mas, quando envolve o nome de Lula e seus familiares, tudo não passa apenas de tentativa política de atingir o presidente. Quem vai ter coragem de tomar uma atitude que seria tomada em qualquer país sério?
Estamos vivendo o mesmo do mesmo. O risco é de que os que acusam hoje, como os que comandaram a Operação Lava Jato, sejam tratados como bandidos, naquela inversão de valores a que a sociedade brasileira está sendo submetida pelo governo e seus aliados.
Hoje, os criminosos que usufruíram do dinheiro público e enriqueceram ilicitamente (alguns devolveram milhões de reais depois de confessarem seus crimes) são tratados como vítimas, enquanto seus algozes estão sendo punidos.
Como a blindagem é óbvia, não há o que se esperar. Não se pode ter também qualquer esperança de que seja feita a verdadeira Justiça, na medida em que de onde poderia se esperar, dali é que nada vai acontecer em relação ao presidente e seus aliados. Também, mesmo com toda a boa vontade, não se pode esperar que todos os denunciados na CPMI vão ser julgados e pagarão por seus crimes.
Não estamos mais vivendo a normalidade democrática. Os princípios básicos de uma ditadura já estão formados e fortalecidos. Todos os brasileiros sabem o que está acontecendo, inclusive com a possibilidade de o STF passar a mandar no país, sem que possa haver qualquer controle ou reação do Congresso ou da sociedade. Lamentavelmente!
Publicado em 08/12/2025






