
Irapuan Costa Junior
Professora em Portugal critica fala de Lula da Silva sobre traficantes: “Foi uma afronta e um desrespeito às verdadeiras vítimas do flagelo que é o tráfico de droga.”

Irapuan Costa Junior
Professora em Portugal critica fala de Lula da Silva sobre traficantes: “Foi uma afronta e um desrespeito às verdadeiras vítimas do flagelo que é o tráfico de droga.”
Drogas, armas e munições apreendidas | Foto: Divulgação
A fala presidencial — e nem poderia ser diferente — repercutiu pessimamente não só perante os estrangeiros em cuja presença foi dita, mas também no Brasil, em que pese a pouca ressonância na chamada “grande imprensa”, mais preocupada em esconder os erros governamentais do que noticiar os fatos em si. Natural. Afinal, ganha para isso.
Mas não duvidem: a fala lulista no exterior, contribui, e muito, para a deterioração da imagem do Brasil, que deveria ser a de um país mais civilizado.
A prova disso está no artigo que reproduzimos abaixo. Saiu no “Diário de Notícias”, de Lisboa, talvez o diário mais lido em Portugal. Foi escrito por uma professora universitária portuguesa que se escandalizou com os conceitos lulistas, e fez questão de expressar sua indignação em letra de forma. Julgue o leitor por si mesmo.
Opinião
O traficante de droga, essa “vítima”
Aline Hall de Beuvink
Na semana passada, numa conferência de imprensa em Jacarta, ao falar sobre o combate ao tráfico de droga, o presidente da República Federativa do Brasil, Lula da Silva, disse o impensável: “Toda vez que a gente fala de combater as drogas, possivelmente fosse mais fácil a gente combater os nossos viciados internamente. Os usuários são responsáveis pelos traficantes que são vítimas dos usuários também”.
Em português de Portugal, “usuários” são os consumidores de droga. Logo, o que o presidente do Brasil disse foi que os traficantes de droga são vítimas dos consumidores.
Vejamos a definição de “vítima” no dicionário de Língua Portuguesa Houaiss:

A minha pergunta é: em qual destas acepções o presidente brasileiro estava a pensar quando achou, verdadeiramente, que um traficante é uma vítima?
Subsequentes questões:
Entretanto, devido ao impacto negativo das suas palavras na mídia, já se retratou, dizendo, na rede social X, “fiz uma frase mal colocada nesta quinta e quero dizer que meu posicionamento é muito claro contra os traficantes e o crime organizado”.
Nem foi uma frase mal colocada, nem foi um posicionamento claro: foi uma declaração impensável e um posicionamento dúbio.
Foi uma afronta e um desrespeito às verdadeiras vítimas do flagelo que é o tráfico de droga. E é uma pena que o Brasil, já há pelo menos duas décadas, não tenha um presidente digno dos destinos e à altura deste grande país.
Aline Hall de Beuvink é professora auxiliar da Universidade Autónoma de Lisboa e investigadora (do Cidehus). Cidehus é a sigla para o Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades, uma unidade de investigação da Universidade de Évora, em Portugal. O artigo foi publicado em 28 de outubro de 2025, no “Diário de Notícias”.
Máfias tropicais: PCC e CV
Indiscutivelmente, não fica bem o Brasil com uma fala desse teor pelo dirigente primeiro da nação. PCC e CV comandam negócios bilionárias. São máfias tropicais.
Portanto, o crime organizado deve ser tratado com o máximo de rigor e não com palavreado ambíguo.