CPMI

Deputado Alfredo Gaspar diz que “CPMI do INSS blinda quem recebeu mais de R$10 milhões.”

Estadão – Levy Teles

BRASÍLIA – O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), disse que a comissão parlamentar blinda investigados que receberam R$ 10 milhões em propinas, segundo ele mesmo.

Gaspar mencionou as tentativas de impedir a convocação e quebras de sigilo de:

  • empresária Roberta Luchsinger, que atuou com o “Careca”;
  • Gustavo Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA)
  • A nova esperança da CPMI do INSS

“O STF não é o principal blindador dessa comissão”, disse Alfredo Gaspar. Para ele, falta altivez do próprio Congresso. “A blindagem pela própria comissão é uma vergonha.”

O relator ainda mencionou que o Senado ainda tem outra “vergonha” ao impor sigilo de 100 anos sobre informações acerca de visitar do Careca do INSS a gabinetes de senadores. “Esse sigilo de 100 anos é outra vergonha da República”, afirmou.

Gaspar ainda fez um desafio ao STF:

Há, na Corte, um mandado de segurança pedindo a divulgação dessa informação. “Abra essa caixa preta dessas visitas”, apelou o relator.

Weverton Rocha já afirmou publicamente ter recebido o “Careca do INSS” em seu gabinete por três vezes, mas para tratar de assuntos legislativos.

A reportagem em questão fala do cancelamento, por parte dos Correios, de leilão de R$ 280 milhões após receber cheque sem fundo de ONG de pai de santo.

“Esse pai de santo é um coitado. Esses aqui tiveram sucesso”, citando uma lista de outras quatro entidades que, juntas, faturaram cerca de R$ 714 milhões com descontos associativos de aposentadorias entre 2022 e 2025. A AASAP, de Delecrode, recebeu R$ 63,2 milhões.

Sob habeas corpus, depoente se cala à CPMI e parlamentares criticam STF

“Esse que está aqui, teve mais sucesso ainda. Ele conseguiu colocar suas empresas juntando outras entidades num desvio de R$ 1,4 bilhões”, disse Gaspar.

O relator define Delecrode como “o coração tecnólogico da safadeza”, operacionalizando um sistema de coleta de dados e verificação de autenticidade.

Durante a sessão desta segunda-feira, Gaspar apresentou requerimento de apreensão do telefone celular de Delecrode. O requerimento foi aprovado em votação simbólica. O dispositivo foi entregue pelo depoente, que se recusou a dizer a senha para destravar o acesso.

Essa foi a fala inaugural de Gaspar na sessão da CPMI do INSS desta segunda-feira, 10, que ouve Igor Dias Delecrode, dirigente da Associação de Amparo Social do Aposentado e Pensionista (AASAP).

Causou nova indignação entre os membros da comissão um habeas corpus concedido pelo ministro André Mendonça, do STF, a Delecrode, para que ele possa permanecer em silêncio em perguntas que possam o incriminar.

Com o benefício, Delecrode permaneceu em silêncio às perguntas do relator. Diante disso, Gaspar fez uma introdução do depoente citando reportagem do Estadão.

Publicado em 11/11/2025