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Bernardinho se reinventa para guiar nova geração: “Se tratar que nem os grandes foram tratados…”

Bernardinho no jogo contra a Ucrânia pela Liga das Nações — Foto: Alexandre Durão

Ge – Por Marcelo Barone

Seleção brasileira e Bernardinho são quase sinônimos.

Histórias que se entrelaçam ao longo de décadas, passando por gerações distintas de jogadores e, consequentemente, mudanças na sociedade.

O treinador que, entre idas e vindas, assumiu o posto em 2001, aos 42 anos, completou 66 no último dia 25 de agosto.

Está em sua 18ª temporada como técnico da equipe – separado pelo hiato entre a conquista do ouro olímpico em 2016 e a saída de Renan Dal Zotto em 2023.

E, a partir deste domingo, guia a nova geração em busca de mais um título, no Mundial das Filipinas. É a síntese de títulos, vitórias e medalhas, mas também de trabalho duro e de reações performáticas à beira da quadra.

As mudanças no jeito de Bernardinho no banco de reservas durante uma partida são perceptíveis.

Mas, para se adaptar e lidar com jovens, que nasceram quando ele ganhava o ouro olímpico em Atenas 2004, como o novato Lukas Bergmann, foram necessárias.

O Bernardinho do Antigo Testamento, como brincou o próprio filho, em entrevista ao Abre Aspas, do ge, deu lugar ao do Novo. Entretanto, ainda prega o trabalho como prioridade.

Bernardinho orienta jogadores do Brasil na decisão de bronze da VNL — Foto: Divulgação/FIVB

– Tenho pouca paciência para desperdício de tempo e de talento. Se tem talento, vamos desenvolver. Agora é início, construção. Tem que ter paciência por resultado, por desempenho e por um desequilíbrio eventual. A energia está alta, alguns ficam até meio… Brincaram no treinamento, cantaram parabéns para você. Não adianta cantar, não, porque o bicho vai pegar (risos). É aquela história. Acharam que eu fosse amolecer? Só que não, “vambora” dar o gás.

– A essência é a mesma: disciplina e trabalho duro. Trabalho duro é um diferencial. Temos que fazer o nosso melhor permanentemente. O pessoal acha que estou mais intenso do que no ano passado, mas eu estava voltando, tentando entender, pisando em ovos. Essa garotada quer se sentir respeitada. Se tratar que nem os grandes foram tratados… Eu falo: “Você não pode entrar e fazer menos do que o seu melhor o tempo inteiro”. É terminar o dia sem arrependimentos. Fez o seu melhor? Bacana.

Filho de pai alemão e mãe brasileira, Lukas Bergmann, de 21 anos, está em seu segundo ano de trabalho com Bernardinho. As cobranças existem a cada treino, mas ele as encara como oportunidade de evoluir. E diz que é motivante ver o técnico empolgado, especialmente, quando está menos disposto no treinamento.

Lukas Bergmann na vitória do Brasil sobre a Eslovênia na VNL — Foto: André Durão

– É uma honra. Ele é muito enérgico, a gente percebe isso todos os dias, não só nos jogos. Quando você chega para treinar, ele já está pulando, muito a fim de fazer, essa é a maior virtude dele. É contagiante você chegar na quadra às 8h da manhã, sem querer fazer nada, e ver ele, que é velho, no gás. Dá vontade de dar o mesmo gás. Falam que ele está mais calmo, mas dentro de quadra, ele continua o mesmo, a intensidade, o xingamento, essa gana de querer ganhar, de cobrar o outro. Ter ele me cobrando me ajuda a saber o que eu posso fazer de melhor.

Publicado em 12/09/2025