RETINOPATIA

Retinopatia da Prematuridade: diagnóstico precoce pode salvar a visão de bebês prematuros.

Acima da média global, o Brasil está entre os dez países com maior número de nascimentos prematuros por ano, chegando a 12% dos bebês. Felizmente, os avanços da medicina têm garantido taxas cada vez maiores de sobrevivência, mas isso não afasta a possibilidade de problemas associados ao parto antes do período ideal para o desenvolvimento do feto, como é o caso da Retinopatia da Prematuridade (ROP).

Por trás de tantos partos prematuros existem diversos fatores, entre eles a gestação tardia, que vem se tornando cada vez mais comum. Seja por razões profissionais ou emocionais, muitas mulheres optam por engravidar após os 35 ou 40 anos. Embora essa seja uma decisão legítima, vários estudos, como um levantamento recente publicado pela Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, mostram que a idade materna avançada está associada a um risco maior de nascimento antes das 37 semanas de gestação, o que configura a prematuridade.

A Retinopatia da Prematuridade é uma alteração nos vasos sanguíneos da retina, estrutura responsável por transformar a luz em impulsos nervosos que serão interpretados pelo cérebro como imagens. Quando o bebê nasce antes do tempo, esses vasos ainda não estão completamente formados, o que pode levar a crescimento anormal, hemorragias e, em casos mais graves, ao descolamento da retina e até a cegueira.

De acordo com o especialista em Retina e Vítreo do Hospital de Olhos de Palmas (HOP), Dr. Giuseppe Graciolli, o cuidado com a visão desde o nascimento do bebê pode impedir o agravamento da ROP. “A retinopatia da prematuridade é uma doença silenciosa, que não apresenta sinais visíveis para os pais nas fases iniciais. Como o diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de preservar a visão, todo bebê, especialmente os prematuros, devem ser examinados por um oftalmologista nas primeiras semanas de vida, mesmo que pareça enxergar normalmente”, alertou o médico.

Muitas vezes, o problema evolui de forma favorável conforme o bebê cresce e os vasos da retina amadurecem, mas, quando há risco de complicações, o tratamento pode incluir a aplicação de laser ou injeções de medicamentos específicos para interromper a progressão da doença. Em situações mais graves, pode ser necessária uma cirurgia para reposicionar a retina. A boa notícia é que, quando identificada e tratada no momento certo, a ROP tem altas chances de controle, permitindo que a criança mantenha a visão e tenha um desenvolvimento saudável.

Ainda segundo o Dr. Graciolli, a prevenção está diretamente ligada à informação. “Os pais precisam entender que a visão é parte essencial do desenvolvimento infantil e que os primeiros meses de vida são decisivos para detectar e tratar qualquer alteração”, acrescentou. Seguir o acompanhamento recomendado pela equipe médica é um hábito simples que pode evitar problemas que acompanhariam a criança por toda vida.

Publicado em 21/08/2025

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Patricia Amaral