8 DE JANEIRO 2023 ELEIÇÃO

Jornalista Michael Shellenberger sobre o Brasil: “o pior caso de censura que já viu em qualquer democracia ocidental”.

Jornalista Michael Shellenberger durante audiência pública no Senado brasileiro em 11 de abril. (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

O jornalista americano Michael Shellenberger, que divulgou o Twitter Files Brasil no mês passado, em colaboração com a Gazeta do Povo, afirmou durante audiência pública no Congresso dos EUA que o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) interferiram nas eleições do Brasil ao determinar a suspensão de perfis de políticos de direita e jornalistas das redes sociais.

“As evidências sugerem que a Suprema Corte do Brasil – STF – e a Corte Eleitoral – TSE – estão sob influência pesada de um único juiz, Alexandre de Moraes, e estão interferindo diretamente em eleições ao exigir o fim de contas de jornalistas independentes e de políticos em todas as grandes plataformas digitais.

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O ministro não está apenas exigindo que plataformas de redes sociais censurem conteúdos específicos que sejam politicamente controversos, mas determinou o banimento para sempre de certos usuários e frequentemente faz isso por meio de audiências secretas sem direito a apelo”, afirmou.

Shellenberger classifica a situação do Brasil como “o pior caso de censura que já viu em qualquer democracia ocidental”. Segundo ele, Alexandre de Moraes agiu de forma unilateral e suas decisões não afetam somente eleições, mas também o papel do Congresso brasileiro.

Michael Shellenberger publicou um “dossiê” em que aponta que o STF (Supremo Tribunal Federal) criou uma força-tarefa ilegal para prender os manifestantes pró-Bolsonaro durante os atos de 8 de janeiro de 2023. A reportagem é assinada pelos jornalistas David Ágape e Eli Vieira.

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Os supostos documentos oficiais e conversas de WhatsApp demonstram que o ministro Alexandre de Moraes criou um protocolo interno para investigar os perfis de redes sociais dos envolvidos nos ataques em Brasília para justificar a realização das prisões.

A operação seria coordenada por meio de um grupo no WhatsApp composto por servidores do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do STF, entre eles o ex-assessor de Moraes Eduardo Tagliaferro.

Os prints de WhatsApp que foram divulgados na reportagem mostram uma conversa entre Cristina Yukiko Kusahara, então chefe de gabinete do ministro Alexandre de Moraes, e Tagliaferro.

Eduardo Tagliaferro e o ministro Alexandre de Moraes

Em um dos diálogos, Cristina argumenta que a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu liberdade provisória para presos preventivos, mas que o ministro (Alexandre de Moraes) não queria soltar antes de ver as redes sociais deles.

O grupo em que as conversas aconteceriam teria sido desativado no dia 1º de março de 2023, quando o juiz Airton Vieira enviou “Despeço-me aqui, singelamente […] que nas audiências de custódia possamos dar a cada um o que lhe é de direito: a prisão”.

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O material jornalístico pondera a má conduta do magistrado, já que ele atuou como assessor judicial de Moraes no STF durante as audiências de custódia dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.

A CNN procurou o ministro Alexandre de Moraes, a chefe de gabinete de Moraes no STF, Cristina Yukiko Kusahara, o juiz Airton Vieira e Eduardo Tagliaferro, que foi assessor-chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação no TSE, nomeado por Moraes em 2022. Até o momento, não houve retorno. A publicação segue aberta a manifestações.

Publicado em 05/08/2025