USA

Reflexo no Agro das tarifas americanas de 50%.

Transportation and logistics of Container Cargo ship and Cargo plane. 3d rendering and illustration.

Após presidente norte-americano, Donald Trump, enviar carta ao governo brasileiro informando sua decisão de impor tarifa adicional àquelas já vigentes no percentual de 50%, aplicada a todo e qualquer produto brasileiro exportado para os Estados Unidos, medida que entrará em vigor em 1º de agosto, não é conhecido ainda se o governo brasileiro adotará alguma medida em resposta, mas Trump já avisou em sua missiva que qualquer retaliação será compensada por tarifas adicionais equivalentes. 

Novamente, é imprescindível ressaltar que deve haver algum choque negativo na demanda por carne bovina brasileira, que segundo a DATAGRO, deve ser próximo de 4% da produção nos níveis atuais, um impacto que inclusive já tem sido avaliado e precificado pelo mercado em alguma medida, à exemplo da queda nas cotações dos contratos futuros de Boi Gordo na B3 na sessão de hoje (10/07). Entretanto, quando avaliada a relevância dos cortes bovinos brasileiros importados pelos EUA para o abastecimento do mercado interno norte-americano, percebe-se que a dependência é maior que na ótica oposta, chegando a 5,4% da disponibilidade doméstica total, uma indicação valiosa de que a nova taxação pode pressionar ainda mais o quadro local de oferta de gado e carne bovina.  

Essa maior relevância proporcional da carne brasileira para o mercado estadunidense não se dá apenas em termos de volumes absolutos, como também em padrões dos cortes importados pelos americanos. O principal produto exportado aos EUA pelo Brasil são os chamados beef trimmings, que são pedaços de carne bovina restantes do processo de corte e limpeza das peças tradicionais, que na prática, são importados para serem moídos e combinados com a gordura em excesso produzida pelos animais que superam 26 arrobas (~ 390 Kg) de peso médio de carcaça no mercado norte-americano, para serem vendidos na forma de ground beef (carne moída). O problema se dá na medida em que metade do consumo per capita de carne bovina da população dos EUA se apoia na carne moída, que no mercado doméstico local é beneficiada majoritariamente a partir de fêmeas bovinas de menor padrão de qualidade, um animal substancialmente escasso nas condições vigentes, portanto a tarifa atinge um dos pilares centrais de fornecimento de proteína bovina de base ao mercado norte-americano. Mesmo buscando outros fornecedores alternativos, não há nenhum player que se compara ao Brasil nem em termos de volume, muito menos em termos de preços. Ainda que a nova medida praticamente inviabilize a exportação brasileira de carne bovina aos EUA, que agora passa a superar os preços atacadistas locais em ao menos 20%, seja por efeitos diretos ou indiretos, é possível que esse diferencial se estreite substancialmente. Ademais, diante da limitação na oferta global de carne bovina, mesmo buscando outros fornecedores além dos brasileiros, as mudanças possivelmente abrirão espaço para o Brasil em outros mercados, o que a longo prazo tende a ser um fator de sustentação altamente relevante às vendas externas brasileiras da proteína. 

 

Publicado em 16/07/2025